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Economista vê risco de interrupção do ciclo de cortes já em junho

Para a economista-chefe da SulAmérica, continuar cortando juros além do orçamento implícito de 14% é improvável

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, a barra para que o Banco Central consiga revisar sua projeção de IPCA para ao redor da meta no horizonte relevante é alta — e a realidade econômica tem imposto desafios crescentes à continuidade das quedas de juros. Em seu cenário base, dar continuidade ao ciclo de cortes para além do que ela chama de “orçamento implícito” embutido no patamar de 3,5% é improvável. O ajuste da Selic para 14% é, na sua avaliação, o caminho que compatibiliza o desejo de corte com a realidade inflacionária atual.

O argumento central de Victal está na piora da qualidade da inflação, não apenas no seu nível. Mesmo em um cenário de melhora moderada nos preços do petróleo — que aliviaria os preços administrados —, a economista observa uma deterioração na composição do IPCA que torna o processo desinflacionário mais complexo de conduzir. Do lado dos preços livres, a confirmação de uma atividade econômica resiliente deve levar a uma revisão do hiato do produto, elevando as projeções para essa categoria. Do lado dos alimentos, os efeitos secundários do choque ainda não foram totalmente incorporados nas projeções, o que mantém a inflação total bem acima da meta e com uma dinâmica mais difícil de combater apenas com a política monetária.

Na avaliação da economista, o Banco Central se encontra diante de um comitê que demonstra heterogeneidade e de expectativas do Focus progressivamente desancoradas — combinação que, em sua leitura, levará a autoridade monetária a adotar uma postura reativa, sem se antecipar às revisões do mercado. “O risco de interrupção do ciclo já em junho é relevante”, alerta Victal, que vê no ajuste do orçamento para 14% a forma de o BC equilibrar sua disposição de cortar juros com as restrições impostas pelo cenário inflacionário.

A economista faz, no entanto, uma ressalva importante: a projeção pode ser revista após a divulgação da ata da reunião do Copom, que deverá oferecer informações mais precisas sobre a função de reação do Banco Central e sobre o grau de consenso interno do comitê em relação aos próximos passos do ciclo.

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