
O Banco do Brasil inaugurou nesta sexta-feira (1) a Casa BB, sua sala VIP no Aeroporto de Guarulhos, marcando entrada formal numa disputa que os bancos privados já vinham travando há meses pelo segmento de alta renda. O espaço fica no terminal 3, dedicado aos embarques internacionais, onde se concentra a maioria das salas VIP do aeroporto, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e tem capacidade para atender até 320 pessoas simultaneamente. O acesso é restrito a clientes que possuem cartões premium do banco.
O acesso é permitido para os seguintes cartões:
- Pessoa física: Elo Nanquim, Elo Nanquim Diners, Mastercard Black, Visa Infinite, Smiles Visa Infite, Visa Altus Liv, Visa Altus
- Pessoa jurídica: Corporativo Visa, Corporativo Elo e Empresarial Elo Grafite

Para o Banco do Brasil, a inauguração representa um posicionamento estratégico explícito no segmento de clientes de mais alta renda. “O Banco do Brasil avança estrategicamente na corrida dos cartões premium ao reforçar sua proposta de valor baseada em diferenciação, experiências exclusivas e relacionamento”, afirmou o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias. A declaração sinaliza que o banco estatal não pretende assistir de fora a uma disputa que tem movimentado o setor financeiro com crescente intensidade.
O cenário competitivo em Guarulhos diz muito sobre a importância do espaço para as estratégias dos bancos. O aeroporto é o maior da América Latina e registrou mais de 47 milhões de passageiros em 2025, recorde histórico, tornando-o um ambiente de alto valor para quem quer capturar a atenção dos viajantes frequentes, perfil que tende a coincidir com o dos clientes mais rentáveis do sistema financeiro.

Os movimentos dos concorrentes mostram a extensão da disputa. O Nubank inaugurou no início de 2025 sua sala VIP voltada aos clientes do segmento Ultravioleta, seu topo de carteira. O C6 abriu espaço exclusivo para o segmento Carbon. O BTG foi além dos rivais e construiu um terminal próprio dentro do aeroporto. O Bradesco não ficou restrito a Guarulhos e expandiu sua presença para outros aeroportos, incluindo Congonhas, onde atende também passageiros de voos domésticos, o que amplia o alcance da estratégia. O Itaú, que ainda não tem sala própria no aeroporto, está em vias de inaugurar o seu espaço em breve.
A corrida pelos espaços em aeroportos é, na prática, uma extensão da guerra pelos cartões premium, que ganhou intensidade nos últimos anos com a entrada das fintechs no segmento historicamente dominado pelos grandes bancos tradicionais. Ao criar ambientes físicos exclusivos associados à experiência de viagem, os bancos buscam reforçar o vínculo com clientes de alto valor e justificar os benefícios cobrados nos cartões de maior anuidade.









