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Governo prepara crédito de até R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo

Programa de crédito para compra de veículos deve ser lançado na próxima semana com recursos do Tesouro Nacional

O governo federal prepara o lançamento de uma nova linha de crédito voltada à aquisição de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa poderá contar com até R$ 30 bilhões em recursos do Tesouro Nacional, segundo informações apuradas pelo Valor Econômico.

A proposta integra o conjunto de medidas de crédito direcionado adotadas pela equipe econômica em 2026 para estimular setores específicos da atividade econômica em meio ao cenário de desaceleração do crescimento e juros elevados. A expectativa é de que o programa seja oficialmente lançado na próxima semana.

A taxa de juros da nova linha deverá ficar abaixo da Selic, atualmente em 14,50% ao ano. As condições finais ainda dependerão de regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável pela definição operacional do programa.

Integrantes do governo argumentam que a medida possui caráter de incentivo ao investimento e à geração de renda, já que os veículos financiados serão utilizados como instrumento de trabalho por motoristas de aplicativo e taxistas. Técnicos da área econômica avaliam que a iniciativa busca preservar atividade econômica e reduzir ociosidade em segmentos específicos.

Dentro do Banco Central, porém, existe a avaliação de que programas de crédito subsidiado podem estimular a demanda agregada no curto prazo, mesmo quando direcionados a investimentos produtivos. O entendimento é que medidas desse tipo podem dificultar o processo de desaceleração econômica necessário para reduzir pressões inflacionárias.

O novo programa se soma a outras iniciativas de crédito e financiamento anunciadas pelo governo federal ao longo do ano. Entre elas está a destinação de R$ 21,2 bilhões para aquisição de caminhões e ônibus, sendo R$ 14,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões em funding do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela operacionalização da linha.

O Executivo também autorizou a transferência de R$ 14 bilhões para ampliar os recursos do Fundo Clima do BNDES. Os valores deverão ser destinados exclusivamente a programas de financiamento reembolsável ligados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O orçamento original do Fundo Clima em 2026 era de aproximadamente R$ 27 bilhões. O reforço adicional foi viabilizado por meio de mecanismo previsto em emenda constitucional que permite, entre 2025 e 2030, o direcionamento de até 25% do superávit de fundos públicos para financiamentos vinculados à transformação ecológica e projetos ambientais.

Segundo portaria do governo, os recursos terão vigência até dezembro de 2030 e deverão ser devolvidos gradualmente aos fundos de origem a partir de 2031, conforme o cronograma de amortização dos financiamentos concedidos.

Outra frente anunciada pelo governo envolve uma linha de R$ 10 bilhões para modernização de máquinas e implementos agrícolas. Os recursos serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), utilizando parte do superávit financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), autorizado por legislação aprovada no ano passado.

Na área habitacional, o governo também anunciou aporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para ampliar o funding do programa Minha Casa, Minha Vida, especialmente para famílias enquadradas na faixa 3, com renda bruta mensal de até R$ 9,6 mil.

Além disso, houve aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), mecanismo operacionalizado pelo BNDES para ampliar garantias e facilitar o acesso ao crédito por microempreendedores individuais e pequenas e médias empresas por meio da rede bancária.

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