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BBI mantém Brasil como principal aposta na América Latina após balanços

Banco vê oportunidade após queda generalizada das ações e mantém exposição acima da média ao Brasil em 2026

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 no mercado brasileiro terminou com desempenho considerado mais fraco do que aparenta, segundo avaliação do Bradesco BBI. Em relatório divulgado ao mercado, os estrategistas afirmam que os números positivos dos setores de energia e materiais básicos acabaram mascarando uma deterioração mais ampla entre empresas ligadas à economia doméstica.

De acordo com o banco, cerca de 76% das ações domésticas que compõem o MSCI Brazil, excluindo Mercado Livre, apresentaram resultados abaixo das expectativas no período.

O relatório aponta que o sentimento negativo dos investidores ficou evidente na reação da Bolsa após os balanços trimestrais. Segundo os analistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, houve venda generalizada de ações independentemente de as empresas terem superado, igualado ou frustrado as projeções do mercado.

Na avaliação do banco, esse movimento acabou criando oportunidades seletivas em alguns ativos, especialmente diante da perspectiva de melhora gradual do ambiente macroeconômico no segundo semestre.

Entre os setores domésticos, o segmento financeiro foi apontado como um dos principais fatores negativos da temporada. O BBI afirma que os bancos anteciparam provisões para perdas de crédito, movimento que pressionou os resultados no curto prazo.

Ainda assim, os estrategistas avaliam que a reprecificação da curva de juros da Selic pode favorecer a rentabilidade do setor adiante, especialmente caso a inadimplência não apresente deterioração mais intensa nos próximos trimestres.

O banco também destaca que a reação negativa indiscriminada do mercado aos resultados demonstra redução relevante do apetite por ativos brasileiros após o forte desempenho observado no início do ano.

Segundo o relatório, ações que surpreenderam positivamente nos balanços chegaram a registrar queda média próxima de 5,9% após a divulgação dos resultados.

No setor de commodities, o desempenho continuou sustentando parte relevante dos resultados corporativos no país. A área de energia apresentou surpresa positiva superior a 17%, impulsionada principalmente pela Petrobras.

O BBI avalia que os efeitos positivos da alta do petróleo ainda devem continuar aparecendo nos próximos resultados, uma vez que o primeiro trimestre capturou apenas parcialmente o impacto da valorização do Brent durante as tensões geopolíticas envolvendo o Irã.

No segmento de materiais básicos, o banco afirma que o lucro líquido abaixo das expectativas acabou escondendo margens consideradas resilientes nas operações nos Estados Unidos e maior foco das companhias na devolução de capital aos acionistas.

Entre os destaques positivos apontados pelo relatório aparecem Petrobras, Embraer, bancos e Mercado Livre.

No caso da Embraer, os estrategistas avaliam que a companhia poderá se beneficiar da redução dos efeitos tarifários sobre estoques e da antecipação de pedidos da família E2 em meio à alta dos preços do petróleo.

Já o Mercado Livre foi citado como uma das principais oportunidades após a correção recente das ações. Segundo o banco, a pressão deliberada sobre margens para acelerar crescimento pode começar a diminuir nos próximos trimestres.

O Bradesco BBI manteve recomendação overweight para o Brasil dentro da estratégia para América Latina, equivalente a exposição acima da média do mercado.

Segundo os estrategistas, o país continua sendo beneficiado pela rotação global de capital em direção a mercados considerados descontados, além da combinação entre valuation mais atrativo, dinâmica cambial e expectativa de continuidade do ciclo de juros.

O banco também afirmou que o cenário eleitoral e a perspectiva de redução gradual da Selic podem funcionar como catalisadores adicionais para ativos domésticos ao longo do segundo semestre de 2026.

Entre as ações destacadas pela instituição estão empresas mais sensíveis aos juros, como Localiza, Assaí e Cyrela, além de nomes ligados ao mercado de capitais, como BTG Pactual e XP. Petrobras, Vale e Banco do Brasil também aparecem entre os ativos monitorados pelo banco devido ao potencial impacto do cenário político sobre empresas com influência estatal.

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