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Dólar sobe com tensão no Oriente Médio e cautela política no Brasil

Tensão geopolítica no Oriente Médio e cautela com o cenário político brasileiro impulsionam o dólar e elevam a atenção dos investidores aos próximos movimentos do mercado

O dólar ganhou força frente ao real nesta terça-feira, em um movimento impulsionado pelas incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã e pelo aumento da cautela dos investidores em relação ao cenário político doméstico. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,0405, com alta de 0,84%, acompanhando também o avanço global do dólar frente a outras divisas.

No exterior, o mercado monitorou sinais contraditórios sobre as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã. Enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance afirmou que houve avanço nas conversas para um acordo, o presidente Donald Trump declarou que chegou a considerar um ataque ao Irã antes de recuar da decisão. O cenário elevou os temores sobre inflação global e pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano.

Os juros das Treasuries avançaram para os maiores níveis em meses, em meio à percepção de que os Estados Unidos poderão manter juros elevados por mais tempo. O Treasury de 30 anos atingiu 5,19%, maior patamar desde 2007, enquanto o título de 10 anos subiu para 4,68%, reforçando a migração de capital para ativos considerados mais seguros.

No ambiente doméstico, investidores também reagiram à divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sobre a corrida presidencial. O levantamento mostrou perda de tração do senador Flávio Bolsonaro (PL) em cenários de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de aumento na taxa de rejeição do parlamentar. O movimento ampliou a cautela nos mercados em meio ao noticiário envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “as idas e vindas nas negociações entre Estados Unidos e Irã mantêm o petróleo Brent acima do patamar de US$ 110 o barril, alimentando temores inflacionários e reforçando a perspectiva de juros restritivos por mais tempo na maior economia do mundo”. Para ele, esse ambiente favorece a valorização global do dólar e aumenta a pressão sobre moedas emergentes, como o real.

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