O Banco Central do Brasil afirmou nesta segunda-feira (25) que o Sistema Financeiro Nacional permaneceu sólido e resiliente mesmo após a liquidação extrajudicial do conglomerado Banco Master.
A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025, divulgado pela autoridade monetária. Segundo o documento, o episódio envolvendo o Master não provocou efeitos sistêmicos relevantes sobre o mercado financeiro brasileiro.
“O SFN segue sólido”, afirmou o Banco Central ao destacar que as instituições financeiras continuam operando com níveis considerados confortáveis de capitalização e liquidez, apesar do ambiente de juros elevados, desaceleração econômica e aumento da inadimplência das famílias.
O BC informou que o conglomerado Master representava apenas 0,57% dos ativos totais do sistema financeiro e 0,55% das captações bancárias nacionais no momento da liquidação.
“A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no SFN”, afirmou o relatório.
Segundo o documento, os clientes ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) direcionaram grande parte dos recursos para instituições financeiras de maior porte, movimento considerado esperado em processos de resolução bancária.
Entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026, o FGC desembolsou R$ 37,7 bilhões para clientes do Banco Master, Master BI e Letsbank, o equivalente a 93,3% do valor coberto pela garantia.
Desse montante, R$ 20,77 bilhões — cerca de 55,1% — retornaram ao sistema financeiro por meio da compra de títulos emitidos por outras instituições bancárias.
O Banco Central avaliou que o episódio não comprometeu o acesso dos bancos ao mercado de captação. “As instituições financeiras permaneceram com amplo acesso ao mercado de captações, o que reforça a confiança dos depositantes na solidez do SFN”, afirmou o texto.
O relatório também trouxe um panorama mais amplo da economia brasileira e do sistema financeiro. Segundo o BC, o Produto Interno Bruto cresceu 2,3% em 2025, abaixo do ritmo observado nos anos anteriores, enquanto o mercado de trabalho permaneceu aquecido, com queda da taxa de desemprego e avanço do rendimento médio real.
Ao mesmo tempo, a autoridade monetária destacou aumento das incertezas internacionais devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, com impacto sobre preços globais de energia e fluxo internacional de commodities.
No mercado doméstico de crédito, o Banco Central apontou desaceleração das concessões para famílias e empresas ao longo de 2025.
Entre as pessoas físicas, o relatório observou redução do ritmo em modalidades consideradas mais arriscadas, embora o crédito pessoal sem consignação continue crescendo em ritmo elevado.
O documento também mostrou deterioração nos indicadores de endividamento das famílias brasileiras.
Segundo o BC, o comprometimento de renda aumentou principalmente entre os tomadores de menor renda, enquanto a inadimplência avançou em praticamente todas as modalidades de crédito destinadas às famílias.
“A trajetória de alta da probabilidade de inadimplência deve continuar na maior parte das modalidades de crédito”, destacou a autoridade monetária.
Mesmo com o avanço dos atrasos e da pressão sobre o crédito, o BC afirmou que os testes de estresse realizados indicam que os bancos brasileiros mantêm capacidade de absorver choques severos sem comprometer sua solvência.
O relatório também mostrou avanço contínuo do Pix no sistema de pagamentos brasileiro. Segundo o Banco Central, o sistema respondeu por aproximadamente 29% das transações de varejo no segundo semestre de 2025.









