O IGP-M de maio avançou 0,84%, resultado ligeiramente acima do consenso de mercado, que apontava para 0,81%, mas representando uma desaceleração relevante em relação ao mês anterior.
Em abril, o índice havia subido 2,73%, incorporando os primeiros impactos do choque no preço do petróleo. Para Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, a moderação é bem-vinda, mas não altera o diagnóstico de uma inflação ainda pressionada e de um Banco Central que deve manter postura cautelosa à frente.
O IPA — que representa a maior parcela do IGP-M — avançou 0,91% no mês, com dinâmicas distintas entre seus componentes. Os produtos agrícolas registraram queda de preços, enquanto os produtos industriais subiram 1,34%. Para Paixão, é justamente nos industriais que reside o ponto de maior atenção: essa categoria tem se mostrado mais sensível ao choque, em função do avanço da inflação em importantes países exportadores, com destaque para a China, cujos preços de exportação têm pressionado os custos ao longo da cadeia produtiva global.
O IPC e o INCC avançaram 0,61% e 0,77%, respectivamente. A analista aponta dois fatores que contribuíram para conter os efeitos secundários do choque nessas categorias: a estabilidade no preço do petróleo no cenário global e as medidas de subvenção adotadas pelo governo brasileiro, que ajudaram a evitar uma disseminação mais intensa das pressões por toda a cadeia produtiva.
Apesar da desaceleração em maio, Paixão reforça que o quadro inflacionário segue desafiador — leitura que se alinha ao IPCA divulgado na véspera e às expectativas de mercado ainda em trajetória de alta. Diante desse contexto, a analista avalia que o Banco Central deve manter um tom cauteloso na próxima reunião do Copom, com corte de 25 pontos-base na taxa Selic.









