O Ibovespa encerrou maio com seu pior desempenho mensal desde 2023, em um movimento marcado pela retirada de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira e por uma temporada de resultados corporativos que aumentou a pressão sobre diversas empresas listadas. O resultado foi uma correção ampla do mercado, com 21 ações do índice acumulando perdas superiores a 10% no mês e apenas seis registrando valorização acima desse patamar.
Entre os papéis mais penalizados pelos investidores, a maior queda ficou com a Cosan. As ações da companhia acumularam desvalorização de 25,49% em maio, em meio à repercussão de seu balanço trimestral e ao aumento das preocupações envolvendo a situação financeira da Raízen, empresa da qual é acionista relevante.
A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Embora o resultado represente melhora em relação ao prejuízo de R$ 1,8 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior, o mercado reagiu negativamente. As ações caíram mais de 5% logo após a divulgação do balanço.
A pressão aumentou após a divulgação de detalhes do plano de reestruturação extrajudicial da Raízen. O mercado passou a avaliar o risco de conversão de dívida em ações dentro do processo de reorganização financeira. Segundo analistas, a diferença entre o volume de dívida da companhia e seu valor de mercado pode resultar em diluição relevante dos atuais acionistas, incluindo a própria Cosan.
Logo atrás apareceu o Magazine Luiza. As ações da varejista acumularam queda de 25,25% em maio após um primeiro trimestre considerado fraco por analistas. A empresa registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 34 milhões, revertendo o lucro de R$ 11,2 milhões observado um ano antes.
O mercado demonstrou preocupação principalmente com o desempenho das operações digitais. Analistas destacaram vendas pressionadas pelo ambiente econômico mais desafiador e uma deterioração do fluxo de caixa livre, influenciada por fatores sazonais e por investimentos ligados à preparação para a Copa do Mundo.
A terceira maior queda do mês foi registrada pela Vamos. Os papéis da companhia de locação e gestão de frotas recuaram 20,52% em maio. O desempenho negativo refletiu tanto a repercussão do balanço trimestral quanto a troca no comando da empresa.
O conselho de administração anunciou Christian Hahn como novo presidente da companhia, substituindo Gustavo Henrique Braga Couto. A mudança foi recebida com cautela pelos investidores, que interpretaram a troca como um sinal do momento operacional enfrentado pela empresa. Apesar disso, instituições como Bradesco BBI e JPMorgan mantiveram recomendação de compra para o papel.
Na sequência aparece a Axia Energia, cujas units acumulam desvalorização de 16,07% no mês. Diferentemente de outras empresas do ranking, a queda não esteve associada a uma deterioração relevante dos resultados. Analistas destacaram que os números vieram apenas ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
Parte da reação negativa foi atribuída à frustração de investidores em relação ao potencial de distribuição de dividendos. Mesmo após a correção das ações, casas de análise continuaram demonstrando visão positiva para a companhia, citando forte desempenho operacional e perspectivas favoráveis para o setor elétrico.
Fechando o grupo das cinco maiores baixas aparece a Vivara. As ações da joalheria recuaram 15,55% em maio, pressionadas pela divulgação de um lucro líquido cerca de 30% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Após a publicação do balanço, os papéis chegaram a cair mais de 11% em uma única sessão.
Apesar da reação negativa do mercado, analistas destacaram que a companhia continuou apresentando crescimento de receita e expansão das vendas. O principal fator de pressão veio do aumento das despesas comerciais, que comprometeu parte da rentabilidade operacional da empresa durante o trimestre.
O desempenho dessas empresas ajuda a explicar a deterioração observada no Ibovespa ao longo de maio. Enquanto algumas companhias foram penalizadas por resultados abaixo das expectativas, outras sofreram com preocupações relacionadas a endividamento, mudanças na gestão ou expectativas excessivamente elevadas do mercado. O resultado foi um mês marcado por forte dispersão e pela predominância de quedas entre os ativos do principal índice da Bolsa brasileira.
| Ticker | Preço (R$) | Variação no mês (%) |
|---|---|---|
| CSAN3 | 3,80 | -25,49% |
| MGLU3 | 5,98 | -25,25% |
| VAMO3 | 3,06 | -20,52% |
| AXIA6 | 56,93 | -16,07% |
| VIVA3 | 21,84 | -15,55% |
| RAIL3 | 13,72 | -15,52% |
| AXIA3 | 52,43 | -15,29% |
| TIMS3 | 21,90 | -15,21% |
| SBSP3 | 27,95 | -14,89% |
| PETR4 | 42,00 | -14,88% |
| PETR3 | 46,73 | -13,93% |
| UGPA3 | 25,87 | -13,56% |
| RADL3 | 18,69 | -13,07% |
| MRVE3 | 5,85 | -12,43% |
| CMIG4 | 10,76 | -11,66% |
| AZZA3 | 19,30 | -11,62% |
| PRIO3 | 62,25 | -11,27% |
| MBRF3 | 16,01 | -11,06% |
| AURE3 | 12,37 | -10,81% |
| SLCE3 | 15,50 | -10,56% |
| RDOR3 | 34,02 | -10,24% |
| CPFE3 | 43,39 | -9,79% |
| MOTV3 | 14,11 | -9,78% |
| VIVT3 | 33,82 | -9,74% |
| VBBR3 | 29,75 | -9,35% |
| RECV3 | 11,37 | -9,04% |
| ENGI11 | 48,00 | -8,54% |
| COGN3 | 2,50 | -8,42% |
| EQTL3 | 38,54 | -8,32% |
| CPLE3 | 14,56 | -8,25% |
| ISAE4 | 27,03 | -7,81% |
| B3SA3 | 16,50 | -7,67% |
| BPAC11 | 53,75 | -7,50% |
| BBAS3 | 20,30 | -7,35% |
| BEEF3 | 3,69 | -7,29% |
| EMBJ3 | 73,38 | -7,10% |
| RENT3 | 42,02 | -6,58% |
| BBDC4 | 17,70 | -6,30% |
| ENEV3 | 25,63 | -5,88% |
| ALOS3 | 28,21 | -5,72% |
| ITUB4 | 40,04 | -5,57% |
| FLRY3 | 15,39 | -5,52% |
| BBDC3 | 15,50 | -5,26% |
| IGTI11 | 25,94 | -5,16% |
| ITSA4 | 12,92 | -5,00% |
| SANB11 | 27,16 | -4,90% |
| TAEE11 | 39,15 | -4,58% |
| MULT3 | 29,79 | -4,58% |
| POMO4 | 6,06 | -4,57% |
| EGIE3 | 33,10 | -4,50% |
| HYPE3 | 21,91 | -3,82% |
| YDUQ3 | 9,53 | -3,73% |
| NATU3 | 9,94 | -3,59% |
| KLBN11 | 16,67 | -3,53% |
| CSMG3 | 52,71 | -3,16% |
| ASAI3 | 8,75 | -2,89% |
| PSSA3 | 48,31 | -2,21% |
| SUZB3 | 41,91 | -1,57% |
| WEGE3 | 44,10 | -0,59% |









