O Nubank voltou a enfrentar uma revisão negativa por parte de grandes bancos internacionais. Desta vez, o Citi reduziu sua recomendação para as ações da instituição financeira de compra para neutra e cortou o preço-alvo dos papéis negociados em Nova York de US$ 18 para US$ 13.
A decisão reflete uma avaliação mais cautelosa sobre o potencial de crescimento do banco digital nos próximos anos. Segundo os analistas, a companhia enfrenta um cenário mais desafiador para expandir receitas e manter os atuais níveis de rentabilidade sem assumir riscos adicionais na carteira de crédito.
Na avaliação do Citi, o modelo de negócios do Nubank continua excessivamente concentrado em segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico, como cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de menor renda. O banco também aponta dificuldades para a instituição ganhar escala no mercado de crédito consignado privado, uma das principais frentes de crescimento do setor financeiro brasileiro.
Os analistas destacam que a expansão do consignado privado pode representar um desafio adicional para o Nubank. Como esse tipo de empréstimo possui desconto direto na folha de pagamento, ele tende a ter prioridade sobre outras modalidades de crédito em situações de inadimplência. Na prática, isso reduz a capacidade de recuperação de dívidas em produtos como cartão de crédito e empréstimos pessoais.
O relatório do Citi reforça uma preocupação que já havia sido levantada recentemente pelo Bank of America. No início do mês, o BofA também revisou sua visão sobre o banco digital, reduzindo a recomendação de neutra para venda e cortando o preço-alvo das ações de US$ 16 para US$ 10.
Na ocasião, os analistas citaram dúvidas sobre a evolução da carteira de crédito, a capacidade de manter o ritmo de crescimento e os desafios relacionados à expansão internacional da companhia.
Além das revisões negativas dos bancos de investimento, o Nubank precisou administrar nos últimos dias uma falha operacional que gerou repercussão entre clientes. Na sexta-feira, parte dos usuários recebeu uma comunicação informando equivocadamente sobre uma suposta liquidação da instituição financeira.
O episódio foi posteriormente esclarecido pela companhia. A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, classificou o ocorrido como um erro operacional e afirmou que a mensagem foi enviada para uma parcela reduzida da base de clientes.
Em comunicado oficial, o banco explicou que um desenvolvedor acionou acidentalmente um fluxo interno destinado a situações de liquidação de instituições financeiras. Como não havia uma entidade específica associada ao procedimento, o sistema utilizou o nome do próprio Nubank como preenchimento padrão.
A instituição informou que o incidente não afetou a segurança dos clientes, a estabilidade operacional nem o funcionamento dos serviços financeiros. Segundo o banco, as comunicações indevidas atingiram apenas um grupo restrito de usuários e foram rapidamente corrigidas.
Mesmo sem impacto operacional relevante, o episódio ocorre em um momento de maior escrutínio do mercado sobre a companhia. As revisões promovidas por Citi e Bank of America mostram que parte dos investidores passou a acompanhar com mais cautela a capacidade do Nubank de sustentar seu crescimento em um ambiente de crédito mais competitivo e desafiador.









