O Citi revisou para baixo os preços-alvo das ações do Grupo Mateus (GMAT3) e do Assaí (ASAI3), mantendo recomendação neutra para ambas as companhias. Na avaliação do banco, o setor de atacarejo continua enfrentando desafios operacionais relevantes e, apesar de parte desse cenário já estar refletida nas cotações, ainda há poucos fatores que sustentem uma visão mais otimista para as empresas.
Para o Grupo Mateus, o preço-alvo foi reduzido de R$ 4,70 para R$ 4,00 por ação, enquanto o Assaí teve sua estimativa revisada de R$ 10,50 para R$ 9,50. Mesmo após o corte, o banco vê potencial de valorização mais elevado para o Assaí, mas considera que os desafios do ambiente macroeconômico limitam uma recomendação mais positiva.
Segundo o relatório, a inflação de alimentos acelerou para 2,5% no segundo trimestre, após estabilidade nos três primeiros meses do ano. Apesar disso, dados do setor apontam enfraquecimento do consumo, com maior migração dos consumidores para produtos de menor preço e vendas nas mesmas lojas praticamente estáveis no segmento de atacarejo.
O Citi observa ainda diferenças importantes entre as regiões. Enquanto a Grande São Paulo apresentou desempenho praticamente estável, o Nordeste registrou desaceleração mais intensa das vendas. Esse cenário leva o banco a avaliar que o Assaí tende a enfrentar um ambiente relativamente mais favorável do que o Grupo Mateus, cuja operação possui maior concentração na região Nordeste.
Para o Assaí, a instituição projeta vendas nas mesmas lojas praticamente estáveis no segundo trimestre, levemente abaixo das expectativas do mercado. Embora espere uma melhora na margem bruta, impulsionada por créditos tributários, o banco acredita que esse benefício será parcialmente compensado pelo aumento das despesas operacionais, especialmente com a expansão das operações de farmácias.
Mesmo projetando resultados superiores ao consenso para o lucro e o Ebitda ajustado do segundo trimestre, o Citi reduziu suas estimativas de lucro para 2026 e 2027 entre 10% e 20%. A revisão incorpora perspectivas de vendas mais fracas e um cenário de juros elevados por mais tempo, o que tende a elevar as despesas financeiras das companhias.
No caso do Grupo Mateus, o banco espera um trimestre ainda mais desafiador. A projeção é de queda de aproximadamente 7% nas vendas nas mesmas lojas, refletindo perda de participação de mercado e mudanças nas práticas comerciais do segmento de atacado voltado para empresas.
Na avaliação dos analistas, a retração das vendas deverá reduzir a alavancagem operacional da companhia e pressionar as margens de rentabilidade, mesmo com iniciativas de redução de custos. Por esse motivo, o Citi revisou para baixo suas projeções de lucro para 2026 e 2027 entre 4% e 6%.
Os próximos resultados financeiros das empresas poderão servir como um teste para essas projeções. O Assaí divulgará seu balanço do segundo trimestre em 6 de agosto, enquanto o Grupo Mateus apresentará seus números em 13 de agosto. Para o Citi, os próximos trimestres serão decisivos para avaliar a capacidade das varejistas de recuperar o ritmo de crescimento em um ambiente de consumo mais restritivo e juros ainda elevados.










