A Oncoclínicas está nas etapas finais das negociações para uma ampla reestruturação financeira e deve protocolar um pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas. Segundo informações apuradas pelo Valor Econômico, a companhia trabalha para concluir um acordo com credores de uma dívida próxima de R$ 4 bilhões, em uma tentativa de reorganizar seu passivo sem recorrer à recuperação judicial tradicional.
As conversas envolvem bancos, debenturistas e investidores detentores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). De acordo com fontes próximas às negociações, as tratativas caminham para um abatimento entre 40% e 50% dos valores devidos aos credores financeiros. A expectativa é que o pedido seja protocolado em cerca de 15 dias, prazo que pode se estender para até três semanas caso seja necessário ampliar as negociações para garantir adesão suficiente.
Pelas regras da recuperação extrajudicial, a companhia precisa obter apoio de credores que representem ao menos um terço das dívidas abrangidas pelo plano para formalizar o pedido. Um dos principais desafios era justamente a negociação com os investidores de CRIs, devido à pulverização desses títulos no mercado. No entanto, um entendimento com representantes desse grupo permitiu acelerar o processo e aumentar as chances de conclusão do acordo.
A situação da Oncoprod, distribuidora de medicamentos considerada estratégica para a operação da rede de tratamento oncológico, deve receber tratamento diferenciado. A dívida com a fornecedora é estimada em cerca de R$ 1,2 bilhão, mas as negociações não contemplam desconto no valor devido. A tendência é que haja apenas alongamento dos prazos de pagamento, preservando o fornecimento de medicamentos essenciais para os pacientes.
A necessidade de reestruturação ganhou força após a deterioração dos indicadores financeiros da companhia. No encerramento do primeiro trimestre, a alavancagem da Oncoclínicas atingiu 5,2 vezes o Ebitda ajustado, superando o limite de 3,5 vezes previsto nos contratos firmados com credores. O descumprimento desses compromissos financeiros levou a empresa a buscar, em abril, uma medida cautelar que suspendeu por 60 dias eventuais pedidos de vencimento antecipado das dívidas.
Apesar das dificuldades financeiras, a situação operacional da companhia apresenta sinais de normalização. Há cerca de dois meses, a falta de recursos para aquisição de medicamentos provocou atrasos em tratamentos oncológicos, afetando aproximadamente 6 mil pacientes. Desde então, a empresa recebeu um aporte emergencial de R$ 150 milhões da gestora Lumina, destinado à compra de medicamentos e à recomposição dos estoques.
Os recursos estão sendo liberados gradualmente e contam com garantia baseada em recebíveis de operadoras de saúde, entre elas Bradesco Saúde e cooperativas do sistema Unimed que aderiram à estrutura da operação. A expectativa é que a medida contribua para estabilizar o atendimento enquanto a companhia conclui sua reorganização financeira.
Atualmente, os principais acionistas da Oncoclínicas são a Centauro, com participação de 14,76%, a gestora Latache, com 14,59%, e o Banco de Brasília (BRB), que detém 8,66% do capital após assumir a fatia anteriormente ligada ao Banco Master. O mercado acompanha as negociações de perto, uma vez que o sucesso do acordo será determinante para a recuperação financeira de uma das maiores redes de tratamento oncológico do país.










