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Stablecoins concentram 80% das operações com criptoativos, diz Receita

Nova plataforma DeCripto entra em vigor com stablecoins representando 80% das negociações de criptoativos declaradas à Receita Federal em 2025

As stablecoins consolidaram sua posição como os principais ativos digitais negociados no Brasil e já representam cerca de 80% de todo o volume de operações com criptoativos declarado à Receita Federal em 2025. O avanço ocorre na véspera da entrada em vigor da DeCripto, nova plataforma de prestação de informações sobre ativos digitais, que passa a ser obrigatória a partir desta quarta-feira (1º).

Instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025, a DeCripto estabelece um novo modelo de declaração de operações com criptoativos e alinha o Brasil ao Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), padrão internacional desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O objetivo é ampliar a transparência das transações e fortalecer o monitoramento de operações relacionadas à evasão de divisas, lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas.

As stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para manter um valor estável, geralmente vinculado a moedas fiduciárias, como o dólar ou o real. Por apresentarem baixa volatilidade em comparação com outros ativos digitais, tornaram-se amplamente utilizadas para pagamentos, transferências internacionais, proteção patrimonial e movimentação de recursos entre plataformas de investimentos.

Dados da Receita Federal mostram que, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptoativos. Desse montante, cerca de R$ 1,13 trilhão, o equivalente a 71,7% do total, correspondeu às stablecoins. Nos últimos anos, a participação mensal desses ativos permaneceu acima de 80% das negociações.

A expansão foi acelerada ao longo da série histórica. Em 2019, as stablecoins representavam apenas 3,5% do volume negociado. A participação subiu para 79,7% em 2022, alcançou 91,5% em 2023 e registrou pico mensal de 94,3% em julho daquele ano. Mesmo com a valorização de outros criptoativos em 2024 e 2025, esses ativos continuaram concentrando entre 76% e 80% do mercado. Em novembro de 2025, o volume mensal negociado atingiu R$ 39,7 bilhões, o maior da série histórica.

Entre os ativos, a USDT, emitida pela Tether e indexada ao dólar norte-americano, domina amplamente o segmento. Segundo a Receita Federal, a criptomoeda respondeu por 88,7% de todo o volume declarado de stablecoins entre 2019 e 2025, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão. Na sequência aparecem a USDC, com participação de 7,1%, e a BRZ, lastreada em real, responsável por 3,4% do volume.

O crescimento também é observado na quantidade de operações. No período analisado, foram registradas 185,7 milhões de negociações envolvendo stablecoins. Apenas em novembro de 2024, foram declaradas 18,2 milhões de transações com esses ativos, enquanto o mercado de criptoativos como um todo contabilizou 31,9 milhões de operações.

Com a entrada em vigor da DeCripto, a Receita Federal também ampliará o alcance da fiscalização sobre plataformas estrangeiras. Prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior que ofereçam serviços a clientes brasileiros passarão a informar as operações realizadas, assim como as empresas estabelecidas no país. A obrigação decorre da Lei nº 14.754/2023 e da Instrução Normativa RFB nº 2.291 e independe da existência de tributos a recolher, tendo como foco o aumento da transparência e do controle das operações com ativos digitais.

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