O BTG Pactual promoveu mudanças em sua carteira recomendada de ações para julho, adotando uma estratégia mais defensiva diante do cenário macroeconômico e da redução do interesse de investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro. Segundo o banco, a combinação de juros elevados, inflação acima da meta e ausência de catalisadores de curto prazo justifica um posicionamento mais conservador para o próximo mês.
Como parte da revisão, o BTG retirou as ações da Localiza e da Equatorial da carteira. Na avaliação dos analistas, os papéis apresentam maior sensibilidade ao ambiente de juros elevados por concentrarem fluxos de caixa de prazo mais longo, característica que tende a reduzir sua atratividade em um cenário de taxas de juros elevadas.
Entre as novidades da carteira está o retorno da Ambev, que volta a integrar a seleção após um longo período. O banco destaca que a fabricante de bebidas oferece um perfil mais defensivo, sustentado por um balanço patrimonial sólido, geração consistente de caixa e dividend yield estimado em 7,5%. Além disso, os analistas avaliam que a companhia reúne condições para recuperar participação de mercado apoiada em seu portfólio de marcas.
Outra inclusão foi a Allos, que passa a representar 5% da carteira. Segundo o BTG, a administradora de shopping centers possui um modelo de negócios considerado previsível, com receitas protegidas pela inflação, dividend yield estimado em 13% e taxa interna de retorno (TIR) real também próxima de 13%.
No setor imobiliário, o banco decidiu ampliar a exposição à Cury, elevando sua participação de 5% para 10% da carteira. A instituição segue vendo potencial nas construtoras voltadas ao segmento de baixa renda, que continuam sendo favorecidas pelo desempenho do mercado habitacional.
O BTG também optou por manter Petrobras entre as recomendações. Na avaliação dos analistas, a estatal continua funcionando como uma proteção para o portfólio diante de eventuais agravamentos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O banco estima que, mesmo com o petróleo negociado em torno de US$ 70 por barril, a companhia poderá entregar dividend yield próximo de 11% em 2026, além de resultados trimestrais robustos.
A carteira de julho é complementada por Eneva, Axia Energia, Motiva, Embraer, Itaú Unibanco e Totvs. No segmento de infraestrutura e energia, o BTG manteve 20% da alocação em empresas de serviços básicos, enquanto Motiva permanece com participação de 10%, apoiada em uma taxa interna de retorno real considerada atrativa.
Em junho, a carteira recomendada do BTG registrou valorização de 1,8%, superando o desempenho do Ibovespa, que recuou 1% no mesmo período.
Na avaliação do banco, o cenário para o mercado brasileiro continua desafiador. Os analistas destacam que a inflação acima da meta reduz o espaço para cortes da taxa Selic pelo Banco Central, enquanto a perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos limita ainda mais a flexibilização da política monetária doméstica.
O relatório também aponta preocupação com a política fiscal. Segundo o BTG, o aumento dos gastos públicos em um contexto pré-eleitoral tem pressionado os juros reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9%. Embora a Bolsa brasileira continue negociando a múltiplos considerados atrativos, a instituição entende que a combinação de incertezas econômicas e ausência de gatilhos relevantes para valorização no curto prazo justifica uma postura mais cautelosa na composição da carteira.
| Empresa | Código | Peso (%) | Potencial de Alta (%) |
| Petrobras | PETR4 | 10% | 55% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 15% | 23% |
| Ambev | ABEV3 | 10% | 23% |
| Axia | AXIA3 | 10% | 24% |
| Embraer | EMBJ3 | 10% | 52% |
| Eneva | ENEV3 | 10% | 16% |
| Motiva | MOTV3 | 10% | 37% |
| Totvs | TOTS3 | 10% | 92% |
| Allos | ALOS3 | 5% | 39% |
| Cury | CURY3 | 10% | 25% |










