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Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e cita dúvida sobre continuidade operacional

Prejuízo ajustado aumenta 76%, para R$ 978 milhões, enquanto companhia corta lojas, despesas e busca alternativas para reforçar estrutura de capital

A Casas Bahia encerrou o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo de R$ 10,1 bilhões e reconheceu em suas demonstrações financeiras a existência de uma “incerteza relevante” capaz de levantar dúvida significativa sobre sua capacidade de continuar operando normalmente. O alerta acompanha uma nova etapa da reestruturação da varejista, que já resultou no fechamento de 298 lojas.

O prejuízo divulgado na madrugada deste domingo (16) foi aproximadamente 18 vezes superior aos R$ 555 milhões negativos registrados entre abril e junho de 2025. A dimensão do número, porém, precisa ser analisada considerando os efeitos extraordinários reconhecidos no período.

Segundo a Casas Bahia, cerca de R$ 9,1 bilhões do resultado foram provocados por eventos não recorrentes, incluindo contratos não performados, baixa de ativos, despesas relacionadas à reestruturação e efeitos de Imposto de Renda diferido.

Mesmo retirando esses impactos, entretanto, a operação permaneceu no vermelho e apresentou deterioração. O prejuízo ajustado alcançou R$ 978 milhões, aumento de 76% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

A receita líquida apresentou crescimento de 1,6%, chegando a R$ 6,97 bilhões. O avanço das vendas não foi acompanhado pela mesma evolução da rentabilidade operacional: o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.

Mais do que o prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, um dos pontos mais relevantes do balanço está na avaliação feita pela própria administração sobre a situação financeira da companhia.

Ao considerar a posição de capital circulante líquido, o resultado financeiro, as maiores restrições encontradas em determinadas fontes de crédito e a necessidade de recursos adicionais para financiar a atividade, a Casas Bahia reconheceu a existência de uma incerteza relevante sobre a continuidade normal de suas operações.

A declaração não significa que a varejista tenha anunciado encerramento das atividades ou que uma interrupção seja iminente. O trecho representa, contudo, um alerta relevante sobre as condições financeiras enfrentadas pela empresa e a necessidade de execução das medidas destinadas a preservar liquidez e reorganizar sua estrutura.

É nesse contexto que a companhia acelerou a chamada Fase 2 de seu Plano de Transformação. A estratégia envolve redução da estrutura física, cortes de custos e despesas, menor necessidade de capital empregado, gestão mais intensa do capital de giro e avaliação de novas alternativas de liquidez e de estrutura de capital.

Parte desse processo já foi executada. A Casas Bahia confirmou no próprio balanço que concluiu o fechamento das 298 lojas previstas para essa etapa da reestruturação.

A redução representa uma mudança de escala em relação aos ajustes realizados anteriormente pela varejista. Nos últimos anos, a empresa vinha diminuindo gradualmente sua presença física. Agora, a administração promove uma redução muito mais concentrada da estrutura para tentar adequar os custos ao tamanho e à capacidade financeira da operação.

O desafio, entretanto, não se limita às despesas. O balanço mostra que a Casas Bahia precisa simultaneamente melhorar a rentabilidade do negócio, administrar o capital de giro e assegurar fontes suficientes de liquidez em um ambiente no qual o acesso a determinadas modalidades de crédito ficou mais restrito.

O resultado ajustado reforça essa dificuldade. Mesmo desconsiderando os R$ 9,1 bilhões em efeitos extraordinários que fizeram o prejuízo contábil disparar, a perda de R$ 978 milhões mostra que a companhia ainda está distante de recuperar a lucratividade.

Por isso, os próximos trimestres deverão mostrar se o fechamento de lojas e a redução da estrutura serão suficientes para produzir uma queda permanente das despesas e melhorar a geração de caixa. Também será relevante acompanhar quais alternativas de liquidez e de capital serão adotadas pela administração.

A divulgação do balanço ocorreu depois de uma mudança no cronograma. Os números estavam inicialmente previstos para sexta-feira (14), mas foram publicados na página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por volta das 2h24 deste domingo. O atraso sujeita a companhia ao pagamento da multa ordinária prevista para a entrega fora do prazo.

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