A XP Investimentos revisou para baixo sua projeção para o Ibovespa e passou a estimar que o principal índice da Bolsa brasileira encerre o ciclo em 200 mil pontos, ante a previsão anterior de 205 mil pontos. Segundo a corretora, a mudança reflete principalmente a elevação das taxas reais de juros de longo prazo no Brasil, fator que reduz o potencial de valorização das ações.
Apesar da revisão, a XP mantém uma visão construtiva para o mercado acionário brasileiro. Os estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueiredo, Caio Souza e Antonio Mello avaliam que os ativos nacionais continuam negociando a preços atrativos e destacam que o indicador proprietário de sentimento da corretora permanece em nível de “pessimismo extremo”, condição que historicamente antecede períodos de recuperação da Bolsa.
Outro fator apontado pela instituição é o cenário internacional. Na avaliação da XP, uma eventual continuidade da rotação global de recursos para fora das empresas ligadas à inteligência artificial poderá favorecer mercados emergentes, incluindo o Brasil, por meio da entrada de capital estrangeiro.
Ao mesmo tempo, a corretora alerta que o ambiente macroeconômico continua desafiador. Após a elevação das expectativas para inflação e juros, o modelo quantitativo da XP indica que a economia brasileira já se encontra em um regime de inflação elevada e deverá migrar para um cenário de juros em alta nos próximos meses.
Segundo os estrategistas, esse contexto tende a favorecer setores considerados mais defensivos. Historicamente, bancos, empresas de utilidades públicas e companhias dos segmentos de agropecuária, alimentos e bebidas apresentam desempenho relativamente melhor em períodos de aperto das condições financeiras. No campo dos fatores de investimento, ações de maior qualidade e menor risco costumam superar o mercado, enquanto empresas de menor capitalização tendem a enfrentar maior pressão.
Além das questões macroeconômicas, a XP afirma que o mercado começa a direcionar maior atenção ao processo eleitoral de outubro. Embora a volatilidade típica do período pré-eleitoral já esteja sendo observada, a corretora acredita que o principal foco dos investidores será a sinalização sobre a política fiscal e a sustentabilidade das contas públicas a partir de 2027.
A instituição também promoveu alterações em sua carteira recomendada para julho. A principal inclusão foi a Rede D’Or, que, segundo a XP, mantém posição de liderança tanto no segmento hospitalar quanto em saúde suplementar, sustentando ganhos de participação de mercado e potencial de crescimento no longo prazo.
Em contrapartida, a Copel foi retirada da carteira após o desempenho expressivo das ações nos últimos meses. A corretora também aumentou a participação da Orizon de 2,5% para 5%, argumentando que o mercado ainda não incorporou totalmente o potencial de geração de valor da aquisição da Vital, operação que consolidou a companhia como uma das maiores plataformas de valorização de resíduos e economia circular da América Latina.
Confira todas as recomendações da XP para julho:
| Companhia | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 5,0% |
| PRIO | PRIO3 | 5,0% |
| Gerdau | GGBR4 | 5,0% |
| Vale | VALE3 | 5,0% |
| Lojas Renner | LREN3 | 5,0% |
| Localiza | RENT3 | 10,0% |
| Embraer | EMBR3 | 5,0% |
| TOTVS | TOTS3 | 5,0% |
| Iguatemi | IGTI11 | 10,0% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 7,5% |
| Sabesp | SBSP3 | 5,0% |
| Orizon | ORVR3 | 5,0% |
| B3 | B3SA3 | 7,5% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 10,0% |
| BTG Pactual | BPAC11 | 5,0% |
| Nubank | ROXO34 | 5,0% |










