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XP corta preço-alvo do Banco do Brasil

Corretora vê inadimplência elevada no agronegócio, reduz preço-alvo do Banco do Brasil para R$ 21 e mantém visão cautelosa

A XP Investimentos revisou para baixo suas projeções para o Banco do Brasil e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 25 para R$ 21 ao final de 2026. A corretora manteve a recomendação neutra para os papéis, argumentando que a recuperação da carteira de crédito, especialmente no agronegócio, deve ocorrer de forma mais lenta do que o esperado.

Segundo o relatório, o principal fator para a revisão das estimativas é a deterioração prolongada da qualidade dos ativos ligados ao setor agropecuário. Na avaliação da XP, os produtores rurais continuam enfrentando um ambiente desafiador, marcado pela queda dos preços das commodities, valorização do real, juros elevados e custos de produção ainda pressionados, fatores que mantêm o risco de inadimplência em níveis elevados.

A corretora afirma que, embora o Banco do Brasil tenha endurecido os critérios para concessão de crédito e ampliado o uso de garantias nas operações mais recentes, parte relevante da carteira ainda reflete empréstimos concedidos durante o período de maior estresse do setor. Com isso, a instituição acredita que a qualidade dos ativos continuará pressionada ao longo dos próximos trimestres.

Outro ponto destacado no relatório é a retomada do crescimento dos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais. Após sinais iniciais de estabilização no início do ano, os dados de abril mostraram nova aceleração dos processos, indicando que parte das dificuldades financeiras no agronegócio ainda persiste.

Além da carteira rural, a XP observa aumento das preocupações com o segmento de pessoas físicas. Segundo os analistas, clientes ligados à atividade agropecuária apresentam deterioração mais intensa em modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito e cheque especial. A instituição avalia que parte da inadimplência observada atualmente poderá evoluir para atrasos mais longos nos próximos períodos.

Diante desse cenário, a corretora passou a projetar um custo de risco elevado durante 2026 e 2027, estimando uma normalização mais consistente apenas a partir de 2028. O ambiente de maior risco deverá exigir níveis elevados de provisões para perdas com crédito, limitando a recuperação da rentabilidade do banco.

As novas estimativas refletem essa perspectiva mais conservadora. A XP reduziu sua projeção de lucro líquido para 2026 de R$ 23,3 bilhões para R$ 18,3 bilhões, uma queda de aproximadamente 22%. A estimativa de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também foi revisada, passando de 12% para 9,4%.

Apesar da pressão sobre a carteira de crédito, a corretora identifica alguns fatores que podem amenizar os impactos negativos. Entre eles estão o desempenho das receitas de tesouraria, favorecidas pelo atual patamar elevado da taxa Selic, e a disciplina no controle das despesas operacionais, que contribui para preservar parte da rentabilidade.

No segmento de grandes empresas, a XP observa sinais de estabilização da qualidade dos ativos, avaliando que boa parte dos problemas envolvendo exposições corporativas relevantes já foi provisionada. Ainda assim, a instituição ressalta que pequenas e médias empresas continuam enfrentando um ambiente econômico mais desafiador.

Em relação ao valuation, a corretora entende que as ações não apresentam um desconto suficiente para justificar uma visão mais otimista. Segundo o relatório, os papéis negociam a aproximadamente 6,3 vezes o lucro estimado para 2026, acima da média histórica próxima de 4,5 vezes. Para a XP, esse múltiplo mais elevado decorre principalmente da redução das expectativas de lucro, e não de uma melhora dos fundamentos do banco.

Mesmo mantendo recomendação neutra, a instituição também não recomenda a venda das ações. A avaliação é que boa parte das perspectivas negativas já está incorporada aos preços de mercado. Além disso, fatores como o ciclo eleitoral de 2026 e eventuais mudanças no fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira podem influenciar a precificação dos papéis, ainda que a recuperação operacional da instituição ocorra de forma gradual.

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