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Tarifas dos EUA levam BNDES a pedir mais R$ 7,25 bilhões

Banco estatal solicita antecipação de recursos diante da forte demanda por financiamentos do Plano Brasil Soberano

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) solicitou ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio. O pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional na última terça-feira (14) e busca ampliar os recursos disponíveis no Fundo de Garantia à Exportação (FGE), responsável por financiar parte do programa.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, justificou o pedido pelo aumento da procura das empresas pelas linhas de financiamento. De acordo com ele, a liberação adicional é necessária para atender à demanda crescente registrada desde o lançamento do programa.

Inicialmente, o Plano Brasil Soberano previa até R$ 15 bilhões em financiamentos destinados a empresas impactadas pelas barreiras comerciais dos Estados Unidos, pela guerra no Oriente Médio e por setores estratégicos da indústria brasileira. Em maio, o BNDES anunciou um aporte adicional de R$ 6 bilhões em recursos próprios, elevando a capacidade total de crédito para R$ 21 bilhões.

Apesar disso, os pedidos de financiamento protocolados já alcançam R$ 18,4 bilhões, aproximando-se rapidamente do limite disponível. Diante desse cenário, o banco solicitou a antecipação da segunda parcela de R$ 7,25 bilhões prevista no programa. Até o momento, o Tesouro Nacional já liberou cerca de R$ 7,75 bilhões para alimentar o fundo.

Uma nova etapa de liberação de recursos também está sendo analisada pelas equipes técnicas do Tesouro e do BNDES, que avaliam o volume necessário para atender às empresas mais afetadas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

Pelo modelo adotado no Plano Brasil Soberano, os recursos são transferidos pelo Tesouro Nacional ao BNDES, que utiliza esses valores para conceder financiamentos às empresas enquadradas nos critérios do programa. Os empréstimos são viabilizados por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), tradicionalmente utilizado para oferecer garantias a operações de crédito voltadas às exportações brasileiras.

Em março deste ano, uma medida provisória ampliou a utilização do FGE, permitindo que seus recursos também fossem destinados ao financiamento das linhas de crédito criadas para enfrentar os efeitos das novas barreiras comerciais e das tensões geopolíticas internacionais.

Segundo a reportagem, a maior parte das solicitações de crédito tem vindo de empresas dos setores de alimentos, medicamentos, fertilizantes, minerais críticos, máquinas e equipamentos. O objetivo do programa é evitar que essas companhias interrompam investimentos, reduzam a produção ou enfrentem problemas de capital de giro em decorrência das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Desde sua criação, o interesse pelas linhas de financiamento cresceu rapidamente. Em maio, o BNDES informou que havia recebido aproximadamente R$ 5 bilhões em pedidos de crédito. Poucas semanas depois, esse volume já havia subido para R$ 8,5 bilhões. Agora, as solicitações somam R$ 18,4 bilhões, praticamente esgotando a capacidade inicialmente prevista para o programa.

O governo federal também anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um novo pacote de apoio às empresas atingidas pela mais recente rodada de tarifas norte-americanas. Segundo estimativas oficiais, o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos afeta aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões com base nos dados de 2024.

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