O Citi, o JPMorgan e o Itaú BBA iniciaram a cobertura das ações da Compass (PASS3) com avaliações positivas, destacando a combinação entre geração recorrente de caixa, perfil defensivo da distribuição de gás natural e potencial de crescimento do segmento de comercialização de energia. Para os três bancos, a companhia chega ao mercado com fundamentos que sustentam recomendações de compra e potencial relevante de valorização após sua estreia na Bolsa.
Controlada pela Cosan, a Compass atua nos segmentos de distribuição de gás e de marketing e serviços por meio da Edge. A empresa realizou sua oferta pública inicial (IPO) em maio deste ano, encerrando um intervalo de quase cinco anos sem novas aberturas de capital no mercado brasileiro.
O Citi iniciou a cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação, o que representa potencial de valorização de cerca de 52% em relação ao fechamento da última terça-feira (16). Na avaliação do banco, a companhia reúne ativos regulados que proporcionam geração previsível de caixa e oportunidades de expansão em um mercado de gás natural ainda em desenvolvimento.
Os analistas João Pimentel e Felipe Lenza destacam que operações como Comgás e Commit garantem fluxo de caixa estável e capacidade de distribuir dividendos consistentes, além de oferecer flexibilidade financeira para novos investimentos. O principal diferencial competitivo da Compass, segundo o Citi, está na Edge, braço responsável pela comercialização de gás natural, infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) e projetos ligados ao biometano.
Outro ponto ressaltado pelo banco é o nível de endividamento considerado confortável. A Compass encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alavancagem equivalente a 2,2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. O Citi projeta dividend yield médio de aproximadamente 9% em 2027 e 2028, considerando uma política de distribuição de 75% do lucro.
O JPMorgan também iniciou cobertura com recomendação overweight, equivalente à compra, e estabeleceu preço-alvo de R$ 34 para dezembro de 2027, indicando potencial de valorização de aproximadamente 36%. O banco avalia que a tese de investimento combina uma base defensiva proporcionada pela distribuição de gás com perspectivas de crescimento acelerado da Edge.
Segundo os analistas, a área de distribuição deverá gerar aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano em dividendos entre 2026 e 2030. Já a Edge pode apresentar crescimento médio anual de cerca de 20% no Ebitda ao longo dos próximos cinco anos. Para o JPMorgan, cerca de 62% do valor justo da companhia está associado aos ativos regulados, enquanto o mercado ainda precifica apenas parte do potencial de expansão da operação de comercialização.
O banco também vê espaço para crescimento orgânico, além de oportunidades relacionadas a fusões, aquisições e futuros processos de privatização. Na avaliação do JPMorgan, a Compass negocia atualmente a cerca de seis vezes o múltiplo EV/Ebitda estimado para 2027, nível inferior ao observado em outras empresas reguladas do setor.
O Itaú BBA também iniciou a cobertura com recomendação outperform, equivalente a desempenho acima da média do mercado, e definiu preço-alvo de R$ 35 por ação para o fim de 2026. A estimativa representa potencial de valorização de aproximadamente 40% e taxa interna de retorno implícita de 14,7%.
Na visão do Itaú BBA, a Compass opera com um modelo de dois motores. O primeiro é formado pelos ativos regulados de distribuição, especialmente a Comgás, responsável pela maior parte da geração de resultados. O segundo está concentrado na Edge, que reúne operações voltadas ao mercado livre de gás natural, infraestrutura de GNL e produção de biometano.
O banco avalia que o preço atual das ações reflete principalmente o valor dos ativos regulados, enquanto o potencial de crescimento da Edge ainda não está plenamente incorporado pelo mercado. Entre os principais ativos dessa unidade estão o terminal de regaseificação localizado no Porto de Santos, a planta de biometano OneBio e operações de gás natural liquefeito fora da malha tradicional de distribuição.
Segundo o Itaú BBA, a Compass registrou Ebitda próximo de R$ 5 bilhões em 2025, dos quais cerca de 90% tiveram origem nas operações de distribuição de gás. Para os analistas, essa estrutura proporciona estabilidade financeira ao mesmo tempo em que permite capturar oportunidades de expansão em segmentos ligados à transição energética.
Apesar de utilizarem metodologias distintas, Citi, JPMorgan e Itaú BBA convergem na avaliação de que a companhia reúne ativos resilientes, forte geração de caixa e potencial de crescimento acima do atualmente refletido nas ações, sustentando uma visão positiva para PASS3 após sua estreia no mercado.









