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Petrobras supera projeção e BTG vê guidance conservador

BTG considera conservadora a meta de produção da Petrobras após média de 2,66 milhões de barris/dia e mantém preço-alvo de US$ 22

O desempenho operacional da Petrobras nos primeiros sete meses de 2026 aumentou a percepção de que a companhia poderá encerrar o ano produzindo acima das próprias projeções. Para o BTG Pactual, a faixa oficial de 2,4 milhões a 2,6 milhões de barris de petróleo por dia está se tornando “cada vez mais conservadora” diante dos volumes registrados pela estatal.

De janeiro a julho, a produção média de petróleo alcançou 2,66 milhões de barris por dia, aproximadamente 6% acima do ponto médio de 2,5 milhões estabelecido no guidance. Os números foram compilados pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha a partir dos dados mensais divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A leitura positiva sobre a produção é um dos fatores que sustentam a recomendação de compra do BTG para a Petrobras. O banco mantém preço-alvo de US$ 22 para o ADR preferencial da estatal em um horizonte de 12 meses. Considerando a cotação próxima de US$ 18,54 registrada na sexta-feira (21), a projeção representa potencial de valorização de 18,7%.

Quando os dividendos estimados são incorporados ao cálculo, o retorno total projetado pelo BTG chega a 27,6% em 12 meses. O banco trabalha com dividend yield de 8,9% para 2026 e yield de fluxo de caixa livre ao acionista próximo de 11% em 2027, considerando o petróleo Brent a US$ 75 por barril.

A expectativa de geração de caixa está diretamente relacionada ao aumento da produção. Em julho, a Petrobras extraiu, em média, 2,77 milhões de barris de petróleo por dia, praticamente estável diante dos 2,76 milhões registrados em junho, mas ainda acima do limite superior da faixa projetada para a média anual.

Búzios teve participação relevante nesse resultado. O campo atingiu 997 mil barris por dia em julho e ficou próximo da marca de 1 milhão de barris diários, impulsionado principalmente pela aceleração dos FPSOs P-78 e P-79.

O P-78, que iniciou a produção em janeiro deste ano, alcançou 99 mil barris por dia em julho. O P-79, em operação desde maio, chegou a 50 mil barris diários. Juntas, as duas plataformas responderam por um acréscimo de aproximadamente 80 mil barris por dia em relação ao mês anterior. Jubarte adicionou outros 26 mil barris diários, enquanto Sépia contribuiu com aumento de 10 mil barris.

O avanço nesses ativos compensou perdas registradas em outras operações. Em Itapu, a produção do FPSO P-71 caiu de 156 mil barris por dia em junho para 105 mil em julho. A redução foi de 51 mil barris diários.

Marlim também pressionou o resultado, com queda de 39 mil barris por dia associada a problemas nos FPSOs P-51 e Anna Nery. Em Tupi, o FPSO Cidade de Itaguaí produziu 33 mil barris por dia, abaixo dos 70 mil registrados em maio, contribuindo para uma redução de 26 mil barris diários no campo.

Mesmo com essas interrupções, a produção total de petróleo e gás da Petrobras atingiu 3,60 milhões de barris de óleo equivalente por dia em julho, ante 3,59 milhões em junho. A produção de gás natural passou de 131 milhões para 132 milhões de metros cúbicos por dia no mesmo intervalo.

O patamar de 3,60 milhões de barris de óleo equivalente é o maior da série apresentada pelo BTG, iniciada no terceiro trimestre de 2023, quando a produção estava em 2,90 milhões. A média havia alcançado 3,34 milhões no primeiro trimestre deste ano e 3,52 milhões no segundo, indicando uma trajetória de expansão da capacidade produtiva.

Para agosto, Almeida e Cunha trabalham com a possibilidade de estabilidade ou novo crescimento. A expectativa considera a maior estabilidade operacional dos FPSOs P-77 e P-78, em Búzios, e a retomada do Anna Nery, em Marlim, ocorrida em meados de julho.

Se esses fatores sustentarem os volumes observados recentemente, o BTG considera ainda mais factível que a Petrobras termine 2026 acima do teto de 2,6 milhões de barris por dia previsto no guidance.

O principal risco para essa projeção está no FPSO Cidade de Itaguaí, no campo de Tupi. A unidade permaneceu paralisada durante agosto depois de já operar abaixo da capacidade em julho. Uma interrupção prolongada pode retirar parte do crescimento proporcionado pelas novas plataformas.

A Petrobras ainda não anunciou uma revisão das projeções oficiais para o ano. Os resultados do terceiro trimestre, previstos para o período entre o fim de outubro e o início de novembro, devem oferecer uma referência mais ampla para avaliar se a companhia atualizará formalmente suas metas.

Para o BTG, a expansão operacional também ganha relevância pela avaliação atual das ações. Pelas estimativas do banco, o ADR negocia a 2,4 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026 e a 4,3 vezes o lucro esperado para o período.

A combinação entre esses múltiplos, crescimento da produção e capacidade de geração de caixa sustenta a preferência do banco pela estatal dentro do setor brasileiro de petróleo e gás.

“Mantemos a Petrobras como nossa principal escolha no setor de óleo e gás do Brasil, sustentada pelo forte crescimento da produção, que, aliado a preços atrativos de petróleo e combustíveis, deve se traduzir em robusto FCFE e dividendos”, afirmaram Almeida e Cunha.

Os dados de produção de agosto, que deverão ser divulgados pela ANP em setembro, passam a ser a próxima referência para essa tese. A manutenção dos volumes próximos aos registrados em julho reforçaria a possibilidade de a Petrobras superar sua projeção anual e aumentaria a expectativa do mercado por uma eventual revisão do guidance.

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