A aproximação das eleições tende a elevar a volatilidade do mercado financeiro à medida que investidores recalibram expectativas para política fiscal, inflação, juros e câmbio. Para especialistas, tentar antecipar os movimentos provocados pela disputa eleitoral pode aumentar os riscos da carteira. A estratégia apontada para atravessar esse período é reduzir concentrações por meio da diversificação.
Segundo Homero Guizzo, economista da Terra Investimentos, anos eleitorais exigem atenção às propostas dos candidatos que possam afetar as contas públicas e, consequentemente, a trajetória dos juros e do câmbio. Mudanças nessas expectativas são rapidamente incorporadas aos preços de ações, títulos e demais ativos.
“Historicamente, períodos eleitorais experimentam maior volatilidade porque coincidem com ajustes nas expectativas dos agentes econômicos para o futuro próximo”, afirma Guizzo. Segundo ele, pesquisas eleitorais isoladas possuem baixo poder para antecipar o comportamento do mercado, que ajusta os preços conforme novas informações aparecem.
Para Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, o investidor não deve buscar eliminar completamente o risco, mas distribuí-lo. A combinação entre ativos com maior potencial de valorização e instrumentos defensivos pode diminuir o impacto de oscilações mais intensas.
Entre as alternativas citadas pelo especialista estão ETFs de renda fixa, ouro, Treasuries — títulos do Tesouro dos Estados Unidos — e estratégias de baixa volatilidade. Esses instrumentos possuem características diferentes e podem responder de maneiras distintas às mudanças no cenário econômico.
A diversificação geográfica também ganha importância. Flávio Vegas, especialista de produtos da Global X, avalia que manter os investimentos concentrados no Brasil aumenta a exposição da carteira aos efeitos econômicos e financeiros da eleição.
Investimentos internacionais permitem distribuir o patrimônio entre diferentes economias, empresas e setores, além de adicionar exposição cambial. “As eleições afetam principalmente os ativos locais. Ao investir globalmente, o investidor reduz essa concentração de risco”, afirma Vegas.
Outro risco apontado pelos especialistas está na tentativa de montar posições com base em previsões sobre o resultado das urnas. Anderson Moreira, head de conteúdo da DEX e especialista em investimentos, considera pouco eficiente tentar antecipar quais empresas ou setores serão beneficiados por determinado cenário político.
Nesse contexto, ETFs podem facilitar a diversificação ao reunir, em um único instrumento, diferentes ações ou títulos. Isso reduz a dependência do desempenho de uma empresa específica, embora não elimine os riscos de mercado.
“O foco deve estar na construção de uma carteira alinhada aos objetivos do investidor e não na tentativa de antecipar o resultado das eleições”, afirma Moreira.
A principal implicação para o investidor é que proteção eleitoral não significa apostar contra determinado resultado político. A estratégia defendida pelos especialistas consiste em evitar que uma única classe de ativos, país ou cenário econômico determine o desempenho de todo o patrimônio.










