A possibilidade de a Cosan reduzir seu endividamento e destravar valor dos ativos, somada às perspectivas de crescimento da Panvel no mercado farmacêutico, levou o BTG Pactual a reformular parte de sua carteira recomendada de small caps para setembro de 2026. As duas companhias entraram no portfólio mensal no lugar de Copasa e Pague Menos.
A seleção permanece com dez ativos, cada um representando 10% da carteira. Além de Cosan (CSAN3) e Panvel (PNVL3), foram mantidas OceanPact, Banco Inter, Smart Fit, Sanepar, Orizon, 3tentos, Tenda e Bemobi.
Entre as duas novas posições, a Cosan recebe atenção pela diferença que o BTG ainda identifica entre o valor de mercado da companhia e o de seus ativos. Segundo os analistas, mesmo depois dos avanços na simplificação da estrutura societária, CSAN3 negocia com desconto de holding próximo de 20%.
Esse desconto ocorre quando o mercado atribui à holding um valor inferior ao que resultaria da avaliação de suas participações individualmente. No caso da Cosan, o BTG entende que novas medidas de simplificação, monetização de ativos e redução da dívida podem diminuir essa diferença.
A avaliação do banco é que a tese de investimento da companhia entrou em uma nova fase. Anteriormente, uma das principais questões era a necessidade de financiar um ciclo de expansão e os investimentos realizados pelo grupo. Agora, o foco passa para a capacidade de transformar os ativos construídos nos últimos anos em recursos e reduzir a alavancagem da holding.
O BTG aponta acontecimentos recentes como sinais de que esse processo começou. Um deles foi o IPO da Compass, enquanto outro foi a redução das despesas da própria holding. Para os analistas, os movimentos indicam maior disciplina financeira e uma mudança na estratégia de alocação de capital.
O próximo passo considerado relevante pelo banco está relacionado a eventuais vendas de ativos. Caso ocorram, os recursos poderão ser direcionados para amortizar dívida, diminuindo a despesa financeira da Cosan e fortalecendo sua estrutura de capital.
Essa combinação poderia atuar em duas frentes sobre CSAN3: melhorar a geração de valor para o acionista por meio da redução dos custos financeiros e contribuir para diminuir o desconto de aproximadamente 20% que o BTG atualmente identifica nas ações.
A Panvel entra na carteira com uma tese diferente. Nesse caso, o banco destaca principalmente a característica defensiva do setor farmacêutico em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e condições mais restritivas para o consumo.
O segmento continua entre as preferências do BTG dentro dos setores de varejo e consumo. Medicamentos e produtos relacionados à saúde tendem a apresentar demanda menos sensível às oscilações econômicas do que categorias discricionárias, o que pode proporcionar maior resiliência às empresas do setor em períodos de atividade mais fraca.
Para o banco, a Panvel reúne essa característica defensiva com fundamentos que podem sustentar crescimento. Os analistas destacam o balanço considerado saudável e a geração consistente de caixa como elementos importantes para a tese.
Outro ponto que ganhou peso na avaliação é o avanço dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados principalmente no tratamento de diabetes e obesidade. O BTG considera que essa categoria pode representar uma oportunidade estrutural para a rede de farmácias à medida que esses produtos ganhem maior acessibilidade e penetração.
A expectativa é que a chegada e a expansão de versões genéricas aumentem o universo de consumidores com acesso aos medicamentos, ampliando a circulação desses produtos pelo varejo farmacêutico.
O banco também observa que a oportunidade não depende apenas do aumento das vendas. A capacidade de capturar a demanda adicional preservando margens é relevante para determinar quanto desse crescimento poderá efetivamente se transformar em resultado para a Panvel.
Nesse aspecto, os números do segundo trimestre reforçaram a avaliação positiva do BTG. Segundo o relatório, o desempenho recente mostrou que a companhia consegue participar do crescimento dessa categoria sem comprometer a rentabilidade da operação.
As entradas de Cosan e Panvel substituem Copasa (CSMG3) e Pague Menos (PGMN3). A retirada das duas companhias, porém, deve ser interpretada dentro da estratégia de composição da carteira mensal e não necessariamente como uma recomendação negativa isolada para os papéis.
As outras oito posições foram preservadas. Assim, OceanPact, Banco Inter, Smart Fit, Sanepar, Orizon, 3tentos, Tenda e Bemobi continuam entre as escolhas do BTG para o segmento de empresas de menor capitalização em setembro.
A reformulação ocorre depois de um mês negativo para a estratégia. Em agosto, a carteira recomendada de small caps do BTG caiu 1,5%.
O desempenho ficou abaixo tanto do Ibovespa, que recuou 0,3% no período, quanto do índice Small Caps (SMLL), que registrou queda de 1,3%. A carteira, portanto, perdeu 1,2 ponto percentual para o principal índice da B3 e 0,2 ponto percentual para seu benchmark mais diretamente relacionado.
Para setembro, o banco combina teses de naturezas distintas: de um lado, a possibilidade de redução de dívida e fechamento do desconto de holding da Cosan; de outro, o perfil defensivo da Panvel e o potencial de crescimento associado à transformação do mercado de medicamentos GLP-1. As recomendações representam a avaliação dos analistas do BTG e não constituem indicação de investimento do Boletim Nacional.
| Empresa | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Cosan | CSAN3 | 10% |
| Inter | INBR32 | 10% |
| Smart Fit | SMFT3 | 10% |
| Sanepar | SAPR11 | 10% |
| Orizon | ORVR3 | 10% |
| 3tentos | TTEN3 | 10% |
| Tenda | TEND3 | 10% |
| Bemobi | BMOB3 | 10% |
| OceanPact | OPCT3 | 10% |
| Panvel | PNVL3 | 10% |










