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Vale e Petrobras lideram ações mais recomendadas para setembro de 2026

Analistas aumentam exposição a empresas com receita em dólar para setembro, enquanto ações ligadas à economia doméstica perdem espaço

Vale e Petrobras assumiram a liderança entre as ações mais recomendadas por bancos, corretoras e casas de análise para setembro de 2026. Cada companhia recebeu seis indicações na Carteira Valor, em um mês no qual os analistas aumentaram a preferência por empresas exportadoras diante da proximidade das eleições e das incertezas sobre a economia brasileira.

A composição mudou significativamente em relação a agosto. Quase metade das ações foi substituída, embora a estratégia permaneça cautelosa depois de o Ibovespa encerrar o mês anterior com queda de 0,33%.

A principal mudança está na concentração das recomendações em companhias com receitas ligadas ao mercado externo. As exportadoras representam metade das dez ações selecionadas para setembro: Petrobras, Vale, Embraer, Suzano e WEG.

Na Petrobras, os analistas destacam a combinação de crescimento da produção, resultados operacionais e financeiros considerados sólidos e custos competitivos de extração. A companhia passou a dividir a primeira posição com a Vale, que já liderava as recomendações no mês anterior.

A mineradora, segundo Régis Chinchila, analista-chefe de investimentos da Terra Investimentos, continua demonstrando resiliência mesmo diante de um ambiente desafiador para o setor.

Embraer permanece entre as exportadoras selecionadas, enquanto Suzano e WEG são novidades. Cada uma recebeu três recomendações. No caso da Suzano, a Ágora avalia que o risco de novas quedas relevantes no preço da celulose está mais limitado, ao mesmo tempo em que surgem sinais de aumento das compras chinesas. Para a WEG, a Terra Investimentos destaca a solidez dos resultados apresentados no último trimestre.

A preferência pelas exportadoras está relacionada também ao cenário doméstico. Com maior volatilidade esperada no período que antecede as eleições e menor convicção sobre a recuperação da economia brasileira, os analistas buscam empresas com receitas em dólar e menor dependência da atividade interna.

O setor financeiro aparece na segunda posição entre as preferências. Itaú recebeu cinco indicações e a B3, outra novidade da carteira, foi escolhida por três instituições.

Mesmo depois de o Itaú registrar lucro de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, ligeiramente abaixo do consenso, o Andbank mantém uma avaliação positiva sobre a qualidade dos ativos e o posicionamento do banco. A instituição reconhece que 2026 é um período de transição e com poucos catalisadores no curto prazo, mas considera que o Itaú permanece bem posicionado.

Na B3, a Ágora destaca a posição dominante da companhia na infraestrutura do mercado de capitais brasileiro e sua capacidade de geração de caixa como fundamentos para a recomendação.

Entre as distribuidoras de combustíveis, Ultrapar permanece na seleção com três indicações, enquanto Vibra deixou a carteira.

A Direcional também entrou em setembro, substituindo a Multiplan. O BB Investimentos destacou o crescimento dos lançamentos e das vendas da construtora no segundo trimestre, além da forte geração de caixa. Por apresentar maior exposição à economia doméstica, a ação funciona como uma posição mais agressiva dentro de uma carteira predominantemente defensiva.

O espaço das empresas de utilities diminuiu. Axia Energia é a única representante do segmento e recebeu duas indicações, enquanto Copel e Copasa deixaram a seleção.

A mudança de composição ocorre apesar de a bolsa ter registrado alguns dias de entrada de capital estrangeiro. Para os analistas, a proximidade das eleições aumenta o potencial de volatilidade, ao mesmo tempo em que empresas mais dependentes da economia brasileira enfrentam deterioração relativa dos fundamentos.

A Carteira Valor reúne mensalmente as dez ações mais indicadas por 16 bancos, corretoras e casas independentes. Cada instituição escolhe cinco papéis e, em caso de empate, prevalecem aqueles com maior volume financeiro médio negociado nos 90 pregões anteriores. Todos os ativos possuem o mesmo peso no cálculo do desempenho.

Participam da seleção Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, Banco Daycoval, BB Investimentos, Benndorf Research, CM Capital, Empiricus, Genial, Monte Bravo, Nova Futura, Planner, Safra, Santander, Terra Investimentos e XP Investimentos.

Para setembro, a composição mostra que a principal estratégia dos analistas é reduzir a exposição direta às incertezas domésticas e eleitorais, priorizando exportadoras e empresas com geração de caixa considerada mais previsível.

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