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Banco do Brasil dispara até 7% com pesquisas sobre Lula e Flávio

XP mantém recomendação neutra para Banco do Brasil e preço-alvo de R$ 21, apesar da alta das ações

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) chegaram a subir mais de 7% nesta quarta-feira (2), em um movimento que participantes do mercado atribuem principalmente à reação dos investidores às novas pesquisas para a eleição presidencial. Os levantamentos indicaram uma disputa mais acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

O avanço do BB superou o observado em outros grandes bancos negociados na B3. Para gestores, essa diferença reforça a interpretação de que parte do mercado começou a incorporar às cotações a possibilidade de mudança de governo e seus potenciais efeitos sobre a administração da estatal.

Gabriel Magno, chefe de alocação e sócio da AW Capital, atribuiu a valorização à perspectiva de alternância no comando do país e destacou uma atuação expressiva de corretoras estrangeiras na ponta compradora das ações.

A leitura eleitoral também aparece entre outros gestores. Um profissional ouvido pelo Money Times classificou o movimento como um trade diretamente relacionado às eleições, argumentando que a valorização ocorre apesar da deterioração recente de alguns indicadores do banco.

No segundo trimestre, o Banco do Brasil registrou lucro de R$ 3,9 bilhões, crescimento de 3,3%. O resultado, entretanto, veio acompanhado de piora em indicadores de qualidade da carteira de crédito, principalmente entre pessoas físicas e produtores rurais.

A possibilidade de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro também alimenta expectativas de mudanças na administração do BB. Entre alguns investidores, há ainda especulações sobre privatização, embora o candidato não tenha anunciado publicamente uma proposta para vender o controle da instituição.

No mês passado, um colaborador da campanha afirmou à Veja que uma eventual política de privatizações poderia seguir a orientação adotada pelo ex-ministro Paulo Guedes, mas em intensidade menor. Segundo ele, privatizações de grande porte seriam pouco prováveis, com maior possibilidade de operações pontuais envolvendo empresas deficitárias ou em dificuldades. A declaração não tratou especificamente da venda do Banco do Brasil.

Enquanto o componente eleitoral impulsiona as ações no curto prazo, a XP mantém uma avaliação mais cautelosa sobre os fundamentos da instituição. A casa atualizou o preço-alvo de BBAS3 para R$ 21 e reiterou recomendação neutra. O valor representa potencial de queda de 1,2% em relação ao fechamento anterior de R$ 21,26.

Na avaliação dos analistas, a MP 1.376 pode contribuir para aliviar a situação financeira de produtores rurais endividados, favorecendo a qualidade dos ativos do banco e uma eventual redução do custo de risco nos próximos trimestres.

Parte desse efeito, porém, pode ser compensada pela deterioração da carteira de pessoas físicas, especialmente nos segmentos de cartões de crédito e empréstimos consignados. A evolução dessas linhas será importante para determinar a velocidade de recuperação dos resultados.

A XP também vê pouco espaço para uma expansão relevante dos dividendos no curto prazo. O payout está em aproximadamente 30%, e os níveis de capital e de patrimônio tangível devem manter a administração concentrada na preservação da flexibilidade financeira.

A forte valorização de BBAS3, portanto, ocorre em meio a duas forças distintas: de um lado, investidores passaram a incorporar expectativas relacionadas ao resultado das eleições e a eventuais mudanças na gestão; de outro, os fundamentos do banco ainda apresentam desafios ligados à qualidade do crédito, capital e capacidade de distribuição de dividendos.

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