A perspectiva de novos cortes da Selic começou a alterar a distribuição das carteiras de fundos imobiliários recomendadas para setembro. XP, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander e Terra mantêm parcela relevante em fundos de recebíveis, mas também aumentam seletivamente a exposição a segmentos de tijolo que podem se beneficiar da queda dos juros.
O movimento ocorre depois de o Ifix recuar 1,46% em agosto. No mesmo mês, o Copom reduziu a Selic pela quarta reunião consecutiva, em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, e indicou a possibilidade de continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
Mesmo com os cortes, o nível dos juros ainda favorece fundos de recebíveis, principalmente aqueles com carteiras indexadas ao CDI e ao IPCA. Esses veículos continuam sendo utilizados pelas casas como componente de renda e proteção enquanto a política monetária permanece restritiva.
A expectativa para os fundos de tijolo é diferente. Logística, shopping centers e lajes corporativas podem ganhar valor à medida que os juros recuem, mas também são mais sensíveis às oscilações das curvas de mercado. O Itaú BBA vê fundamentos positivos nesses segmentos, embora ressalte essa maior volatilidade.
A desaceleração da economia reforça a possibilidade de novos cortes. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses de 2026, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%. Para XP e BTG, uma atividade menos aquecida pode ajudar na descompressão da inflação e ampliar o espaço para redução da Selic.
Entre as gestoras presentes nas recomendações, a Kinea aparece com maior frequência nas diferentes estratégias, seguida por Pátria e BTG Pactual. HSI, XP Asset, Vinci e Bresco também estão entre as casas representadas nas seleções.
No BTG, os recebíveis continuam dominantes e representam 47% da carteira. O banco retirou RBRR11 diante da perspectiva de incorporação pelo PCIP11 e elevou as posições em KNCR11 e KNIP11, destacando liquidez, capacidade de estruturação e nível de carrego. Em shoppings, reduziu HSML11 e aumentou VISC11.
| Fundo | Gestora | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| KNCR11 | Kinea | Recebíveis | 14,0% |
| KNIP11 | Kinea | Recebíveis | 14,0% |
| BTLG11 | BTG Pactual | Galpões logísticos | 13,0% |
| MCCI11 | Jive Mauá | Recebíveis | 8,0% |
| TRXF11 | TRX | Renda urbana | 7,0% |
| BTCI11 | BTG Pactual | Recebíveis | 6,0% |
| RBRY11 | Pátria | Recebíveis | 5,0% |
| PVBI11 | Pátria | Lajes corporativas | 5,0% |
| VILG11 | Vinci Compass | Galpões logísticos | 4,5% |
| BRCO11 | Bresco | Galpões logísticos | 4,5% |
| BRCR11 | BTG Pactual | Lajes corporativas | 4,5% |
| VISC11 | Vinci Compass | Shopping centers | 4,0% |
| HGLG11 | Pátria | Galpões logísticos | 3,0% |
| HGBS11 | Hedge | Shopping centers | 3,0% |
| GZIT11 | Gazit | Shopping centers | 2,5% |
| HSML11 | HSI | Shopping centers | 2,0% |
A XP preferiu não trocar os fundos, mas redistribuiu os pesos. A corretora diminuiu as posições em CPTS11, PVBI11 e LVBI11 e aumentou XPLG11, HGBS11 e XPCI11. A estratégia busca reduzir a exposição a fundos de tijolo com menor carrego e poucos catalisadores no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça ativos considerados de maior qualidade e crédito com retorno mais atrativo.
| Fundo | Gestora | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| KNCR11 | Kinea | Recebíveis | 11,00% |
| XPML11 | XP Asset | Shoppings | 10,50% |
| MCCI11 | JiveMauá | Recebíveis | 9,00% |
| RBRX11 | Pátria | FOF/Multiestratégia | 9,00% |
| XPCI11 | XP Asset | Recebíveis | 8,75% |
| XPLG11 | XP Asset | Ativos logísticos | 8,75% |
| CPTS11 | Capitânia | FOF/Multiestratégia | 8,00% |
| RBRR11 | Pátria | Recebíveis | 7,00% |
| BTLG11 | BTG Pactual | Ativos logísticos | 4,50% |
| PCIP11 | Pátria | Recebíveis | 4,50% |
| PVBI11 | Pátria | Lajes corporativas | 4,50% |
| BRCO11 | Bresco | Ativos logísticos | 4,00% |
| LVBI11 | Pátria | Ativos logísticos | 3,50% |
| HGBS11 | Hedge | Shoppings | 3,50% |
| HSML11 | HSI | Shoppings | 2,00% |
| KNRI11 | Kinea | Híbrido | 1,50% |
O Santander promoveu mudanças mais amplas. BTLG11 entrou na carteira, enquanto BRCO11 e PCIP11 foram retirados. A instituição também aumentou as posições em KNCR11 e HGCR11, reforçando a exposição a crédito e substituindo sua posição logística por um fundo com portfólio mais diversificado e maior capacidade para novas aquisições após captação recente.
| Fundo | Gestora | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| MCCI11 | JiveMauá | Recebíveis imobiliários | 11,5% |
| HGCR11 | Pátria | Recebíveis imobiliários | 11,5% |
| KNCR11 | Kinea | Recebíveis imobiliários | 11,5% |
| BTHF11 | BTG Pactual | Hedge Fund / Multiestratégia | 10,0% |
| KNHF11 | Kinea | Hedge Fund / Multiestratégia | 10,0% |
| XPML11 | XP Asset | Shopping centers | 9,5% |
| VILG11 | Vinci | Logístico | 9,0% |
| GARE11 | Guardian | Híbrido | 8,0% |
| BTLG11 | BTG Pactual | Logístico | 7,0% |
| TEPP11 | Tellus | Escritórios | 7,0% |
| TRXF11 | TRX | Híbrido | 5,0% |
Já o Itaú BBA manteve os mesmos 12 FIIs e fez apenas um rebalanceamento. BTLG11, BRCO11 e KNRI11 ganharam 0,5 ponto percentual cada, enquanto HGRU11 teve sua participação reduzida em 1,5 ponto percentual. A estratégia continua priorizando geração de renda, liquidez, qualidade dos imóveis e experiência dos gestores.
| Fundo | Gestora | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| KNHF11 | Kinea | Multiestratégia | 11,5% |
| KNIP11 | Kinea | Ativos financeiros | 11,5% |
| KNCR11 | Kinea | Ativos financeiros | 10,0% |
| KNUQ11 | Kinea | Ativos financeiros | 10,0% |
| BRCO11 | Bresco Investimentos | Galpões logísticos | 8,5% |
| BTLG11 | BTG Pactual | Galpões logísticos | 8,5% |
| KNRI11 | Kinea | Híbrido | 8,5% |
| HSML11 | HSI | Shopping centers | 7,5% |
| XPML11 | XP Asset | Shopping centers | 7,5% |
| PVBI11 | Pátria | Lajes corporativas | 6,5% |
| HGRU11 | CSHG* | Renda urbana / varejo | 5,0% |
| ITRI11 | Itaú Asset | Multiestratégia | 5,0% |
A Terra foi a única das cinco casas a não alterar nem os fundos nem a distribuição da carteira. Recebíveis representam 30% do portfólio, estratégias multiestratégia outros 30% e os fundos de tijolo ficam com 40%, distribuídos entre escritórios, shoppings e logística.
| Fundo | Gestora | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| CPTS11 | Capitânia | Multiestratégia | 10% |
| RBRX11 | RBR Asset Management | Multiestratégia | 10% |
| HSML11 | HSI | Shoppings | 10% |
| JSRE11 | Safra | Escritórios | 10% |
| KCRE11 | Kinea Investimentos | Recebíveis | 10% |
| HGRE11 | Pátria Investimentos | Escritórios | 10% |
| VGIP11 | Valora Gestão de Recursos | Recebíveis | 10% |
| VCJR11 | Vectis / Pátria | Recebíveis | 10% |
| VILG11 | Vinci | Logístico | 10% |
| CCME11 | Canuma Capital | Multiestratégia | 10% |
As escolhas mostram que as instituições ainda não fizeram uma migração generalizada para os FIIs de tijolo. Com a Selic em 14%, o crédito continua relevante para geração de renda, enquanto a expectativa de novos cortes abre espaço para aumentar gradualmente a exposição a imóveis. A velocidade dessa mudança dependerá principalmente do comportamento da inflação, da atividade econômica e das próximas decisões do Copom.










