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Itaú Asset vê PIB de 1% em 2027 e alerta para risco no crédito

Itaú Asset avalia que BC pode levar Selic a 12,5% se câmbio permanecer comportado

A combinação de crescimento fraco, inflação ainda resistente e elevado endividamento deve tornar 2027 um ano desafiador para a economia brasileira. Esse cenário levou a Itaú Asset Management a reduzir a exposição direcional aos ativos domésticos nos fundos da família Artax, segundo o gestor Bruno Bak.

A projeção da gestora é de crescimento de apenas 1% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, com riscos concentrados para baixo. Mesmo com a perda de força da atividade, a expectativa é de inflação de 4,5% no fim do ano, no topo da faixa de tolerância.

Para Bak, essa combinação coloca o Banco Central diante de uma escolha difícil. A desaceleração econômica e o endividamento de famílias e empresas favorecem juros menores, enquanto a inflação resistente limita o espaço para flexibilização da política monetária.

O comportamento do câmbio deverá ser determinante. No cenário da Itaú Asset, se o real permanecer relativamente estável, o Banco Central poderá continuar reduzindo a Selic de forma consecutiva até 12,5%. Uma deterioração cambial, porém, poderia levar o Copom a interromper o ciclo para avaliar os efeitos sobre a inflação.

Entre os riscos domésticos, o crédito é o que mais preocupa Bak. O gestor considera elevado o comprometimento da renda das famílias quando comparado tanto à série histórica brasileira quanto a outros países, enquanto as empresas também apresentam níveis relevantes de alavancagem. A inadimplência crescente já seria um sinal de deterioração.

O risco é que crédito e atividade passem a se retroalimentar. Uma economia mais fraca pode elevar a inadimplência e restringir a concessão de novos empréstimos, enquanto condições financeiras mais apertadas reduzem consumo e investimento, aprofundando a desaceleração.

A eleição presidencial acrescenta outra fonte de incerteza. A Itaú Asset afirma não trabalhar com uma aposta específica sobre o resultado e reduziu suas posições em juros brasileiros para níveis inferiores à média histórica. A gestora também mantém exposição seletiva a algumas empresas por meio de opções, após avaliar que o mercado exagerou no pessimismo em determinados ativos.

Para Bak, o comportamento dos mercados depois da eleição dependerá menos do nome vencedor e mais da política fiscal adotada. Ele avalia que qualquer governo precisará conter o crescimento dos gastos. Se houver um ajuste considerado consistente, existe espaço para queda dos juros e reprecificação de setores da bolsa mais sensíveis às condições financeiras.

O risco está na possibilidade de o mercado antecipar uma melhora fiscal que não se concretize. Na avaliação do gestor, uma ausência de ajuste combinada a uma deterioração do ambiente internacional poderia voltar a pressionar o real, em dinâmica semelhante à observada no fim de 2024, embora esse não seja o cenário central da gestora.

A composição da dívida pública também entrou no radar. Bak observa que o Tesouro encurtou os prazos de financiamento diante do nível elevado dos juros. A estratégia reduz a necessidade de emitir títulos longos em condições desfavoráveis, mas, segundo ele, não elimina o risco e pode aumentar a sensibilidade da moeda quando o cenário externo deixar de favorecer o real.

No exterior, a maior preocupação da Itaú Asset é justamente a elevação dos juros de longo prazo. Bak relaciona o movimento à competição global por capital: governos continuam demandando recursos para financiar gastos enquanto empresas ampliam investimentos, especialmente em infraestrutura para inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, a avaliação da gestora sobre a política monetária mudou depois do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole. A Artax, que anteriormente não esperava alta dos juros, passou a considerar mais provável uma elevação acumulada entre 0,5 e 0,75 ponto percentual, seja na próxima decisão ou até dezembro.

A mudança levou a gestora a montar posições favoráveis a um dólar mais forte diante do peso mexicano. Ao mesmo tempo, a Itaú Asset continua exposta ao tema de inteligência artificial, principalmente em infraestrutura e semicondutores, com posições relacionadas a empresas como Nvidia e TSMC. A avaliação é que a demanda por capacidade computacional continua forte, apesar da pressão exercida pelos juros longos sobre as ações.

Para o Brasil, entretanto, crédito, câmbio e política fiscal permanecem no centro da estratégia. A desaceleração pode permitir novas reduções da Selic, mas a Itaú Asset considera que o espaço para cortes dependerá de a inflação e, principalmente, o real não voltarem a apresentar sinais de pressão.

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