Os ETFs deixaram de ser apenas uma alternativa para investir em ações e hoje permitem montar uma carteira com exposição a diferentes classes de ativos sem sair da Bolsa. Uma seleção para setembro reúne 20 fundos negociados na B3 que aparecem nas carteiras recomendadas de XP, BTG Pactual e Genial, incluindo renda fixa, crédito privado, Bolsa brasileira, ações internacionais, ouro e Bitcoin.
O cenário de juros ainda elevados influencia diretamente as escolhas. Com a Selic em 14% ao ano após o corte de 0,25 ponto percentual em agosto, as instituições mantêm parcela relevante das carteiras em instrumentos pós-fixados e aumentaram a exposição aos prefixados de curto prazo.
A estratégia permite ao investidor acessar uma cesta de ativos por meio de uma única negociação. Entre os ETFs da seleção que informam o custo, as taxas de administração variam de 0,03% a 0,60% ao ano.
Tesouro Selic ganha espaço nas carteiras
Os ETFs que acompanham títulos públicos pós-fixados ocupam algumas das maiores posições recomendadas para setembro. Entre os fundos selecionados estão LFTX11, LIQB11 e LFTI11, todos voltados ao Tesouro Selic.
Na carteira conservadora da XP, os pós-fixados representam 71,5% da alocação. A Genial também mantém uma parcela elevada em liquidez, diante de um mês marcado por decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
O BTG, por sua vez, substituiu o fundo anteriormente utilizado para essa finalidade pelo LIQB11. Segundo a instituição, a mudança reduz de 25% para 15% a tributação sobre ganho de capital.
| ETF | Classe/Função | Peso indicado* | Referência |
|---|---|---|---|
| LFTX11 | Caixa remunerado | 26% | Tesouro Selic Low Turnover B3 |
| LIQB11 | Caixa remunerado | 10% | Teva Tesouro Selic |
| LFTI11 | Caixa remunerado | 45% | Tesouro Selic |
Crédito privado aparece no Brasil e no exterior
Outra parcela das carteiras é destinada ao crédito. O HGBR11 oferece exposição a títulos corporativos americanos com grau de investimento e proteção integral contra a variação cambial. O ETF aparece nas seleções de BTG e XP, com pesos de 2,5% e 10%, dependendo da carteira.
No mercado brasileiro, DEBB11 e GICP11 concentram a exposição a debêntures vinculadas ao CDI. A Genial atribui 20% ao GICP11 em sua carteira de renda fixa, tornando o fundo sua segunda maior posição.
| ETF | Classe/Função | Peso indicado* | Referência |
|---|---|---|---|
| HGBR11 | Crédito global | 2,5% e 10% | Crédito corporativo americano |
| DEBB11 | Crédito privado | 15% | Teva Debêntures DI |
| GICP11 | Crédito privado | 20% | Debêntures indexadas ao CDI |
ETFs de inflação dividem as instituições
As estratégias começam a divergir quando entram os títulos vinculados à inflação.
A XP mantém exposição ao Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 por meio do XB3511, aumentando sua participação conforme cresce a tolerância ao risco do perfil.
O BTG decidiu alongar a exposição à inflação, enquanto a Genial adotou uma abordagem diferente, priorizando títulos de menor prazo. A intenção é manter proteção contra a inflação sem aumentar excessivamente a sensibilidade às oscilações dos juros de longo prazo.
| ETF | Estratégia | Peso indicado* | Referência |
|---|---|---|---|
| XB3511 | Inflação | 25,5% | Idex NTN-B 35 |
| PACG11 | Inflação | 20% | IMA-B |
| B5P211 | Inflação | 15% | IMA-B 5 |
Essa diferença é relevante porque títulos mais longos tendem a apresentar oscilações maiores quando as expectativas para juros futuros mudam.
Prefixados curtos são consenso em setembro
Se há divergências nos títulos de inflação, os prefixados apresentam uma leitura mais uniforme. XP, BTG e Genial aumentaram a exposição à classe e concentraram as escolhas em ETFs de vencimentos relativamente curtos, com prazo médio próximo de dois anos.
A estratégia busca aproveitar as taxas atuais e uma eventual valorização dos títulos caso o ciclo de redução da Selic avance. Ao priorizar prazos menores, as instituições também reduzem a sensibilidade às oscilações dos juros longos, ainda influenciados pelo ambiente internacional e pelas incertezas fiscais brasileiras.
| ETF | Classe | Peso indicado* | Referência |
|---|---|---|---|
| PREX11 | Prefixado | 11% | IRF-M P2 |
| LTNB11 | Prefixado | 7,5% | IRF-M |
| IRFM11 | Prefixado curto | 15% | Prazo médio de aproximadamente 2 anos |
Bolsa brasileira ocupa fatia menor
Apesar da recuperação recente do mercado acionário, a participação da Bolsa brasileira continua relativamente pequena nas carteiras analisadas.
O BTG divide sua exposição entre um ETF que acompanha o Ibovespa e outro voltado a exportadoras de commodities, estratégia utilizada também como forma de reduzir a exposição às oscilações do câmbio.
A Genial adicionou BOVA11 à carteira em setembro, buscando capturar uma possível reprecificação dos ativos brasileiros caso o ciclo de queda dos juros se consolide.
Já a XP utiliza o DIVO11, que acompanha empresas com histórico de dividendos, como alternativa de perfil mais defensivo. A instituição não inclui Bolsa brasileira em sua carteira conservadora.
| ETF | Exposição | Peso indicado* |
|---|---|---|
| DIVO11 | Ações de dividendos | 6,5% |
| IBOB11 | Ibovespa | 5% |
| BOVA11 | Ibovespa | 10% |
S&P 500 e semicondutores aparecem na parcela internacional
A diversificação internacional também está presente. O BTG divide sua exposição ao S&P 500 entre ETFs com e sem proteção cambial.
A XP mantém exposição ao índice americano com hedge cambial nos três perfis analisados. A Genial adota uma estratégia mais temática e utiliza um ETF de semicondutores, embora tenha reduzido pela metade o peso dessa posição em setembro.
Segundo a instituição, a diminuição decorre de um rebalanceamento da carteira e não representa mudança na avaliação sobre o ciclo de inteligência artificial.
| ETF | Exposição | Peso indicado* |
|---|---|---|
| SPXH11 | S&P 500 com proteção cambial | 5,5% |
| SPXB11 | S&P 500 | 10% |
| CHIP11 | Semicondutores globais | 10% |
Ouro e Bitcoin entram na diversificação
Os ativos alternativos representam o ponto de maior diferença entre as estratégias.
A XP utiliza ouro com proteção cambial e commodities nos perfis moderado e sofisticado, buscando ativos com comportamento diferente de ações e renda fixa.
A Genial incluiu o GBTC11, ETF que acompanha uma estratégia baseada em ouro e Bitcoin. Aproximadamente dois terços da exposição do índice ficam concentrados em ouro, e a posição também adiciona exposição cambial à carteira.
O BTG adotou uma postura diferente e mantém zerada sua posição tática em investimentos alternativos, embora sua alocação estrutural reserve 5% para a categoria.
| ETF | Exposição | Peso indicado* |
|---|---|---|
| GOLX11 | Ouro com proteção cambial | 2% |
| GBTC11 | Ouro e Bitcoin | 15% |
Os 20 ETFs selecionados para setembro
Considerando todas as classes, a relação reúne os seguintes fundos:
| ETF | Principal função na carteira |
|---|---|
| LFTX11 | Tesouro Selic |
| LIQB11 | Tesouro Selic |
| LFTI11 | Tesouro Selic |
| HGBR11 | Crédito corporativo internacional |
| DEBB11 | Debêntures |
| GICP11 | Debêntures |
| XB3511 | Tesouro IPCA+ |
| PACG11 | Títulos indexados à inflação |
| B5P211 | Inflação de prazo menor |
| PREX11 | Renda fixa prefixada |
| LTNB11 | Renda fixa prefixada |
| IRFM11 | Prefixados curtos |
| DIVO11 | Ações brasileiras de dividendos |
| IBOB11 | Ibovespa |
| BOVA11 | Ibovespa |
| SPXH11 | S&P 500 com proteção cambial |
| SPXB11 | S&P 500 |
| CHIP11 | Semicondutores |
| GOLX11 | Ouro |
| GBTC11 | Ouro e Bitcoin |
*Os percentuais correspondem às indicações encontradas nas diferentes carteiras recomendadas e não representam uma sugestão de que todos os ETFs devam ser combinados em uma única carteira.
A seleção mostra que a estratégia das instituições para setembro está mais concentrada em renda fixa do que em Bolsa. O ambiente de juros ainda elevados mantém o caixa remunerado relevante, enquanto os prefixados curtos ganham espaço diante da expectativa de continuidade do ciclo de redução da Selic.
Ao mesmo tempo, as instituições preservam parcelas menores em Bolsa brasileira, ativos internacionais e investimentos alternativos para diversificação. A composição adequada depende do perfil, do horizonte e da tolerância ao risco de cada investidor. As carteiras analisadas são de XP, BTG Pactual e Genial e não constituem garantia de rentabilidade futura.










