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Bancos têm 27 mil imóveis retomados e estoque estimado em R$ 10 bi

Caixa concentra 24.572 dos 27.004 imóveis retomados identificados em levantamento e possui R$ 6,03 bilhões em ativos mantidos para venda

Os cinco maiores bancos do país reuniam 27.004 imóveis retomados e colocados à venda ao fim do primeiro semestre de 2026. O valor desses bens é estimado em cerca de R$ 10 bilhões, segundo o Mapa Resale, levantamento que busca dimensionar um mercado cujas informações ainda aparecem de forma fragmentada nos balanços das instituições financeiras.

Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú contabilizavam, juntos, R$ 11 bilhões em ativos mantidos para venda em 30 de junho. Como os bancos não detalham de maneira padronizada quanto desse montante corresponde especificamente a imóveis, a pesquisa estima que aproximadamente R$ 10 bilhões estejam relacionados a propriedades recuperadas em operações de crédito não pagas.

A Caixa concentra a maior parcela desse mercado. Dos R$ 11 bilhões contabilizados como ativos para venda, R$ 6,03 bilhões estavam no balanço do banco público. Bradesco aparecia com R$ 2,53 bilhões, Santander com R$ 1,59 bilhão, Itaú com R$ 598 milhões e Banco do Brasil com R$ 302 milhões.

A concentração é ainda maior quando considerado o número de propriedades. A Caixa possuía 24.572 dos 27.004 imóveis identificados pelo levantamento, seguida pelo Santander, com 1.365, Banco do Brasil, com 633, e Bradesco, com 434. O número referente ao Itaú não estava disponível.

A própria Caixa informou posteriormente que aproximadamente 27 mil imóveis estavam disponíveis para comercialização em seu portal, número mais atualizado que o utilizado no estudo. A instituição ressaltou que o estoque muda continuamente à medida que propriedades são vendidas e novos bens são incorporados.

Apesar do volume bilionário, os imóveis retomados representam uma parcela pequena do mercado de financiamento habitacional. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os R$ 10 bilhões estimados equivaleriam a cerca de 0,7% do saldo de R$ 1,455 trilhão em financiamentos imobiliários no país.

A entidade também afirma que a inadimplência dos financiamentos imobiliários em até 90 dias permanece próxima dos menores níveis históricos, mesmo com a Selic em 14% ao ano. Dessa forma, o tamanho do estoque de imóveis retomados não deve ser interpretado isoladamente como sinal de deterioração do crédito habitacional.

Isso ocorre porque a quantidade e o valor dos ativos mantidos para venda dependem de vários movimentos simultâneos. Além da entrada de novos imóveis recuperados, o saldo é influenciado pela velocidade das vendas, baixas e reclassificações contábeis. Um aumento, portanto, não significa necessariamente maior inadimplência, assim como uma redução não indica, por si só, melhora na qualidade do crédito.

Para os bancos, a velocidade de venda desses imóveis tem impacto financeiro. Enquanto permanecem em carteira, os bens envolvem custos e riscos de manutenção. A alienação permite recuperar parte do crédito concedido e converter novamente o ativo em recursos financeiros.

O Banco do Brasil informou que 98,5% de seu estoque imobiliário decorre de processos de recuperação e retomada. Segundo a instituição, a eficiência na retomada e posterior venda desses bens integra a própria cadeia de crédito e pode influenciar a composição de risco das operações.

O Mapa Resale será atualizado trimestralmente e pretende criar uma série histórica sobre esse mercado. A estimativa de R$ 10 bilhões, entretanto, deve ser interpretada com cautela: não se trata de um valor oficialmente divulgado pelos cinco bancos para imóveis retomados, mas de um cálculo construído a partir de demonstrações financeiras, portais de venda e outras informações públicas diante da ausência de uma abertura contábil padronizada.

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