Os ETFs de criptoativos dominaram o ranking de rentabilidade da B3 em agosto, com valorizações superiores a 40% em alguns produtos. O movimento, porém, não foi acompanhado pelo fluxo de recursos: os maiores aportes dos investidores permaneceram concentrados em renda fixa e fundos ligados ao Ibovespa, segundo levantamento da DEX, ecossistema brasileiro de ETFs.
Os dois maiores retornos do mês vieram de fundos ligados à Solana. O SOLH11, da Hashdex, avançou 46,27%, enquanto o QSOL11, da QR Asset, ganhou 45,74%. Na sequência apareceu o META11, com exposição ao segmento de metaverso, que valorizou 42%.
Produtos relacionados ao Ethereum também tiveram desempenho expressivo, com altas entre 34,67% e 36,91%. O ETHE11 subiu 36,10%. Entre outros ETFs de criptomoedas, o HASH11, que reúne diferentes criptoativos, ganhou 28,54%, enquanto o BITH11, de Bitcoin, avançou 27,40%.
A recuperação de agosto, entretanto, não foi suficiente para eliminar as perdas acumuladas por parte dos produtos de cripto em 2026. O XRPH11, ligado ao XRP, recua 30,95% no ano. O WEB311 registra queda de 29,86%, enquanto o CRPT11 acumula baixa de 27,40%.
Fora do universo de ativos digitais, metais preciosos também tiveram desempenho positivo no mês. A prata avançou 16,91% e o ouro subiu 12,27%. Entre os ETFs internacionais, o WRLD11 ganhou 5,25%, enquanto o IVVB11, que acompanha o S&P 500 com exposição cambial, valorizou 4,89%.
Na renda fixa, os movimentos foram mais moderados. O IB5M11 avançou 1,76% em agosto, seguido pelo B5P211, com 1,36%, e pelo LFTS11, com 1,10%.
O ranking acumulado de 2026 mostra um cenário diferente. O CHIP11, com exposição a empresas americanas de semicondutores, lidera os ganhos do ano com alta de 44,50%. Depois aparecem o HTEK11, ligado ao setor de saúde dos Estados Unidos, com 21,98%, e o BBOI11, relacionado ao boi gordo, com 21,10%. O QQQQ11 acumula valorização de 19,81%.
A diferença entre rentabilidade e preferência dos investidores fica mais evidente nos dados de captação. Em agosto, o BOVV11, do Itaú, recebeu R$ 925 milhões líquidos, maior volume do mês. O CDIB11, também do Itaú, captou R$ 612 milhões, enquanto o PACB11, do BTG Pactual, registrou entradas de R$ 487 milhões.
No acumulado do ano, o LFTB11, da Investo, lidera com R$ 2,98 bilhões em captação líquida. O BOVV11 aparece em seguida, com R$ 2,78 bilhões, seguido pelo PACC11, do BTG Pactual, com R$ 2,48 bilhões, e pelo CDIB11, com R$ 2,19 bilhões. TD3511, do Itaú, e GOLX11, da XP Asset, também estão entre os maiores fluxos, com R$ 1,52 bilhão e R$ 1,24 bilhão, respectivamente.
Para Anderson Moreira, Head de Conteúdo da DEX e especialista em investimentos, os números mostram uma separação entre os ativos que entregaram os maiores retornos e aqueles que efetivamente receberam mais dinheiro. Embora os ETFs de cripto tenham protagonizado a recuperação de agosto, os aportes continuaram direcionados principalmente a estratégias de renda fixa e de exposição ao Ibovespa.
Os dados também mostram que o desempenho de um único mês não representa necessariamente a tendência do ano. Enquanto alguns ETFs de cripto avançaram mais de 40% em agosto, produtos do segmento continuam entre as maiores quedas de 2026, reforçando a volatilidade característica dessa classe de ativos.









