A indústria brasileira de ETFs está próxima de alcançar 1 milhão de investidores. Em agosto, 929 mil pessoas tinham recursos aplicados em fundos de índice negociados na B3, número 39% superior ao registrado 12 meses antes.
O crescimento também aparece no volume de recursos. O patrimônio dos ETFs atingiu R$ 142 bilhões, enquanto a quantidade de fundos emitidos no Brasil aumentou 55% em um ano e chegou a 219. Os dados foram apresentados por Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, durante o ETF Day, realizado na B3 Week 2026, em São Paulo.
Apesar da expansão, a avaliação da bolsa é de que o mercado brasileiro ainda tem espaço para avançar em comparação com indústrias mais maduras. “Os números de crescimento são exponenciais. A indústria de ETFs no Brasil avançou bastante nos últimos anos, mas, apesar disso, ainda temos muito espaço para crescer”, afirmou Masagão.
Os ETFs permitem ao investidor acessar, por meio de uma única cota negociada em bolsa, uma carteira formada por diferentes ativos. Embora tenham se desenvolvido inicialmente como instrumentos para acompanhar índices de ações, atualmente existem produtos ligados a renda fixa, ouro, criptoativos, bolsas estrangeiras e diferentes estratégias temáticas.
A diversificação da oferta vai além dos 219 ETFs constituídos no mercado brasileiro. A B3 também possui 312 BDRs de ETFs negociados originalmente no exterior. Esses recibos permitem acessar fundos internacionais por meio da própria bolsa brasileira, sem a necessidade de manter uma conta de investimentos fora do país.
Os criptoativos estão entre as categorias que mais ampliaram presença nesse mercado. Atualmente, mais de 40 ETFs disponíveis na B3 possuem exposição a ativos digitais, segundo Jackeline Melanias, coordenadora de Produtos da bolsa. Paralelamente, a instituição vem desenvolvendo sua infraestrutura de derivativos vinculados a esse segmento.
A renda fixa também ganhou espaço. ETFs dessa categoria reúnem carteiras de títulos em um único produto negociado em bolsa, ampliando as alternativas disponíveis para investidores que utilizam fundos de índice como instrumento de diversificação.
A próxima etapa de expansão poderá incluir ETFs de gestão ativa. A modalidade está entre as propostas de evolução regulatória e integra um projeto normativo em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo Daniel Maeda, superintendente jurídico da B3. Diferentemente dos produtos estruturados para replicar índices ou estratégias predefinidas, esses fundos permitiriam decisões de alocação realizadas pelo gestor dentro da carteira.
Outra frente em desenvolvimento é a internacionalização. Além dos BDRs que já oferecem acesso a fundos estrangeiros, a B3 trabalha no ETF Connect entre Brasil e China, iniciativa destinada a conectar produtos dos dois mercados.
O mercado brasileiro de ETFs começou em 2004, com o lançamento do PIBB11 em uma iniciativa que envolveu o BNDES. Mais de duas décadas depois, a combinação de ETFs locais e BDRs de fundos internacionais já supera 500 produtos disponíveis na B3, enquanto a base de investidores se aproxima pela primeira vez da marca de 1 milhão.










