A forte reação do mercado ao primeiro turno das eleições pode não se limitar à disparada registrada nesta segunda-feira (5). Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o avanço da direita no Congresso, grandes bancos passaram a enxergar espaço para uma reprecificação das ações brasileiras. Em um cenário de vitória de Flávio e expansão dos múltiplos, o BTG Pactual calcula potencial de valorização entre 32% e 45% para a Bolsa. O percentual, porém, representa um cenário mais otimista do banco e não uma previsão de alta imediata do Ibovespa.
O J.P. Morgan também elevou sua exposição recomendada às ações brasileiras de neutra para overweight, equivalente a uma posição acima da média. O banco estima potencial de aproximadamente 12% no curto prazo para o MSCI Brazil, podendo chegar a 20% posteriormente. Parte adicional da reprecificação dependeria do segundo turno, da definição da política econômica e do ambiente externo.
O argumento dos bancos passa pelo valuation ainda considerado descontado das empresas brasileiras. Mesmo após a forte valorização, analistas avaliam que a redução da incerteza política e uma eventual melhora das perspectivas fiscais poderiam levar investidores a aceitar múltiplos maiores para as ações. Nesta segunda, o Ibovespa chegou a superar 209 mil pontos, enquanto o real também registrou forte valorização diante do dólar.
Há ainda combustível potencial vindo do posicionamento dos investidores. Fundos locais mantêm baixa exposição à renda variável, enquanto o capital estrangeiro voltou ao mercado brasileiro sem alcançar os picos observados anteriormente. Uma realocação para ações poderia prolongar o movimento, especialmente em empresas mais sensíveis à queda dos juros, como varejistas, companhias cíclicas domésticas e instituições financeiras.
O cenário, contudo, permanece condicionado à eleição e aos fundamentos econômicos. Novas pesquisas, propostas dos candidatos, sinalizações sobre política fiscal e o próprio ritmo de queda dos juros podem provocar correções e elevar a volatilidade. A alta projetada pelos bancos, portanto, não significa que o Ibovespa necessariamente avançará mais 32% a 45% a partir dos níveis atuais: parte da reprecificação já ocorreu e o potencial muda conforme preços e expectativas de lucro são atualizados.









