As ações de empresas de menor capitalização negociadas na B3 registram um dos períodos de maior valorização da história do mercado brasileiro. Até 22 de outubro, o Índice Small Cap (SMLL) acumulava alta de 20,39%, desempenho que representa o segundo maior avanço mensal de sua série histórica, iniciada em setembro de 2005. O movimento ocorre em meio à volatilidade provocada pelas eleições presidenciais e às expectativas dos investidores sobre os rumos da política econômica a partir de 2027.
O resultado fica atrás apenas de abril de 2009, quando o indicador avançou 32,64%, durante a recuperação dos mercados financeiros após a crise internacional. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, dez ações já acumulam ganhos superiores a 50% em outubro, com destaque para empresas dos setores de varejo, serviços, transporte e indústria.
A maior valorização foi registrada pela Lojas Quero-Quero (LJQQ3), cujos papéis subiram 98,68% no período, praticamente dobrando de valor. Na sequência aparecem Movida (MOVI3), com avanço de 83,40%, e Magazine Luiza (MGLU3), que acumula alta de 71,31%.
O movimento ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro. Até o dia 2, última sessão antes da votação, o SMLL acumulava valorização de apenas 1,95% no mês. No primeiro pregão após a eleição, em 5 de outubro, o índice disparou 9,17%, concentrando em um único dia parte expressiva dos ganhos.
Small caps superam Ibovespa em outubro
Com o avanço registrado até 22 de outubro, o SMLL ocupa a terceira posição entre os índices de maior rentabilidade da B3 no período. O desempenho fica atrás do Ibovespa Smart High Beta (IBHB), que acumula valorização de 27,29%, e do Índice GPTW B3 (IGPTW), com alta de 20,96%.
O Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, registrou crescimento de 9,54% no mesmo intervalo, menos da metade da valorização acumulada pelas small caps.
A expectativa de mudanças na condução da política fiscal em 2027 está entre os fatores apontados para o movimento. Parte dos investidores considera a possibilidade de um ajuste mais intenso nas contas públicas em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Na avaliação do economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, uma sinalização fiscal capaz de reduzir as taxas de juros poderia favorecer o mercado acionário brasileiro, especialmente as empresas de menor capitalização.
A perspectiva de juros mais baixos tende a beneficiar essas companhias, que geralmente apresentam maior sensibilidade ao custo do crédito e às condições de financiamento da economia.
Confira as 10 ações que mais subiram em outubro
| Empresa | Código | Alta em outubro | Alta em 2026 |
|---|---|---|---|
| Quero-Quero | LJQQ3 | 98,68% | 35,75% |
| Movida | MOVI3 | 83,40% | 92,52% |
| Magazine Luiza | MGLU3 | 71,31% | 44,30% |
| Ânima | ANIM3 | 69,57% | 56,11% |
| Simpar | SIMH3 | 67,91% | 61,97% |
| Pague Menos | PGMN3 | 55,07% | -12,15% |
| Riachuelo | RIAA3 | 54,70% | 29,05% |
| JSL | JSLG3 | 53,79% | 94,07% |
| Armac | ARML3 | 52,44% | 60,86% |
| Randon Participações | RAPT4 | 51,65% | 38,23% |










