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Stablecoins avançam no mercado de câmbio empresarial

Mercado de criptoativos cresce 21,5% no Brasil. Uso de stablecoins em pagamentos e tokenização de investimentos exige atenção aos riscos

A modernização das operações de câmbio empresarial está abrindo espaço para soluções baseadas em ativos digitais, especialmente nas transferências de recursos entre países. Entre as alternativas em expansão estão as stablecoins, criptoativos geralmente vinculados a moedas tradicionais, como o dólar, que permitem movimentar valores por redes de blockchain e reduzir etapas do processo bancário convencional.

Esse movimento ocorre em um mercado que registrou R$ 505,5 bilhões em transações com criptoativos no Brasil em 2025, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior, segundo dados da Receita Federal. O avanço do setor amplia o interesse por aplicações da tecnologia que vão além da compra e venda de moedas digitais.

Para empresas com operações internacionais, a principal possibilidade está na simplificação dos pagamentos e na gestão de recursos em diferentes moedas. Atualmente, transferências realizadas pelo sistema bancário tradicional podem envolver várias instituições intermediárias, com comunicação por redes como a SWIFT, cobrança de tarifas e procedimentos que prolongam a conclusão das operações.

Dependendo das instituições e dos países envolvidos, esses pagamentos podem levar de um a dois dias para serem finalizados. A utilização de ativos digitais oferece uma estrutura alternativa, na qual parte da movimentação ocorre diretamente por uma rede blockchain.

Nesse modelo, a empresa disponibiliza os recursos em sua moeda local, como o real, que são convertidos em stablecoins. Após a transferência digital, o valor é novamente convertido e creditado ao destinatário na moeda utilizada no país de destino.

Embora a movimentação na blockchain possa ocorrer em segundos, o prazo total depende de outras etapas, incluindo a conversão cambial, as verificações regulatórias e a disponibilização dos recursos ao beneficiário.

Segundo Felipe Sabino, CEO e cofundador da Aurex, fintech especializada em infraestrutura de câmbio corporativo e pagamentos internacionais, essas soluções podem reduzir custos operacionais e tornar mais eficientes as rotinas financeiras de empresas que atuam em diferentes mercados.

A automatização das transferências também permite diminuir procedimentos manuais relacionados à conciliação de pagamentos, ao acompanhamento das operações e à administração de recursos mantidos em diferentes moedas.

Para Sabino, o desenvolvimento dessa infraestrutura na América Latina precisa combinar rapidez e eficiência com segurança, governança e cumprimento das exigências regulatórias. A proposta da Aurex é oferecer soluções de câmbio baseadas em ativos digitais para atender às necessidades de tesouraria de empresas multinacionais.

Outra aplicação da tecnologia blockchain é a tokenização de ativos reais, conhecida pela sigla RWA, do inglês Real World Assets. O processo consiste na representação digital de direitos relacionados a ativos tradicionais, como participações em empresas e instrumentos financeiros.

A tokenização pode permitir a divisão de investimentos em frações menores, criando estruturas de acesso a determinados ativos. Entre as possibilidades está a participação de investidores qualificados em operações ligadas ao mercado de venture capital, segmento voltado ao financiamento de empresas inovadoras.

A Aurex apresenta como exemplo sua participação em uma operação estruturada de US$ 5 milhões, aproximadamente R$ 25 milhões, relacionada à empresa norte-americana Anthropic. Segundo a fintech, a transação envolveu ativos tokenizados e registrou valorização de 70%. A companhia não detalhou, nas informações divulgadas, o período de apuração desse resultado nem se o ganho foi efetivamente realizado.

A adoção dessas tecnologias, entretanto, exige atenção aos riscos envolvidos. Embora as stablecoins sejam desenvolvidas para manter relativa estabilidade de valor, sua utilização não elimina a exposição a problemas relacionados ao emissor, às reservas financeiras que sustentam o ativo e à infraestrutura tecnológica empregada.

Nas operações internacionais, as empresas também precisam observar as exigências cambiais, fiscais e de prevenção à lavagem de dinheiro estabelecidas em cada país. O uso de blockchain não afasta essas obrigações nem substitui os procedimentos de identificação e monitoramento exigidos pelas autoridades.

Por esse motivo, a implementação de soluções com ativos digitais depende de mecanismos de auditoria interna, acompanhamento das transações e gestão de riscos operacionais. A integração entre sistemas financeiros e a capacidade de administrar recursos em diferentes moedas também são fatores importantes para a adoção dessas ferramentas em maior escala.

Na avaliação de Sabino, a evolução da regulamentação exige que as empresas acompanhem as mudanças normativas e incorporem controles de conformidade desde a concepção dos projetos. Essa preparação, segundo o executivo, permite reduzir riscos e adaptar as operações às novas exigências de transparência e governança do mercado financeiro.

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