Destaque
DestaqueInvestimentosNotícias

Analistas revisam recomendações e priorizam exportadoras de commodities

A perspectiva de juros elevados por mais tempo levou bancos de investimento a revisar recomendações para empresas brasileiras após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). As análises apontam maior cautela com companhias endividadas e sensíveis ao custo do crédito, enquanto exportadoras de commodities e empresas com receitas previsíveis ganham espaço nas estratégias de investimento.

O novo cenário reflete a revisão das expectativas para a política monetária e para o custo de capital das companhias. Com taxas de desconto mais altas, o valor presente dos fluxos de caixa futuros tende a diminuir, afetando principalmente negócios que dependem de financiamento ou de resultados projetados para prazos mais longos.

No setor de petróleo e combustíveis, o Bradesco BBI reduziu de R$ 62 para R$ 55 o preço-alvo das ações preferenciais da Petrobras, mas manteve a recomendação de compra. A equipe liderada por Vicente Falanga continua avaliando positivamente as perspectivas operacionais da estatal, considerando a consistência da produção e a sustentação dos preços internacionais de energia em 2027.

O banco também identifica uma relação mais favorável entre risco e retorno nas distribuidoras Vibra Energia e Ultrapar, consideradas alternativas com características operacionais mais defensivas.

Entre as empresas de serviços públicos, o Bradesco BBI avalia que a elevação das taxas de desconto reduz a atratividade relativa das ações diante dos rendimentos oferecidos pela renda fixa.

Os analistas liderados por Francisco Navarrete destacam Eneva e Axia Energia pela capacidade de geração de caixa em horizontes mais curtos. Sabesp e Copel, por sua vez, permanecem com perspectivas operacionais consideradas favoráveis.

No setor de saúde, o UBS BB prevê uma revisão das posições assumidas pelos investidores após o primeiro turno. Na ocasião, as ações de empresas do segmento haviam acumulado valorizações entre 17% e 33%, impulsionadas pelas expectativas de vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Com o resultado eleitoral, o analista Olavo Arthuzo considera mais adequada uma estratégia concentrada em companhias com menor endividamento, maior liquidez e capacidade de remunerar os acionistas. Entre as alternativas mencionadas estão Bradsaúde, Rede D’Or e Fleury.

As exportadoras de commodities aparecem em posição diferente. Para o J.P. Morgan, uma eventual valorização do dólar frente ao real pode favorecer empresas que recebem parte relevante de suas receitas em moeda estrangeira, contribuindo para um desempenho superior ao da média do mercado acionário.

Os analistas Rodolfo Angele, Tathiane Martins Candini e Henrique Cunha estimam que uma variação de R$ 0,20 na cotação do dólar pode alterar o Ebitda projetado da Suzano entre 5% e 6%. Na Vale, o impacto estimado varia de 4,5% a 5%, enquanto na Gerdau fica entre 4% e 5%.

O Ebitda é um indicador utilizado para avaliar o desempenho operacional das empresas antes de juros, impostos, depreciação e amortização. A sensibilidade ao câmbio reflete, entre outros fatores, a participação das receitas em dólar nos resultados dessas companhias.

Já a Randoncorp teve sua recomendação reduzida de compra para neutra pelo Citi, que também cortou o preço-alvo das ações de R$ 9 para R$ 8,10.

Segundo os analistas Andre Mazini, Kiepher Kennedy e Pietro Trotta, a estrutura de capital da fabricante de implementos rodoviários aumenta sua exposição ao ambiente de juros elevados, deteriorando a relação entre risco e retorno após o resultado eleitoral.

Postagens relacionadas

1 of 741