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Vale, Suzano e Gerdau são apostas do J.P. Morgan na bolsa

Banco americano vê oportunidade em ações de commodities após vitória de Lula. Suzano, Vale e Gerdau lideram preferências por câmbio e desempenho operacional

A perspectiva de desvalorização do real após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode favorecer os resultados de empresas brasileiras com receitas vinculadas ao dólar. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o J.P. Morgan destacou Suzano (SUZB3), Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) como suas principais escolhas no setor de commodities, mantendo recomendação overweight para as três companhias.

Segundo os analistas, as ações de empresas ligadas a commodities apresentaram desempenho inferior ao do mercado brasileiro após o primeiro turno das eleições. Com a mudança nas expectativas políticas e cambiais, o banco considera possível uma reversão dessa tendência, especialmente entre companhias com exposição relevante a receitas em moeda estrangeira.

O J.P. Morgan calcula que uma oscilação de R$ 0,20 na cotação do dólar pode alterar o Ebitda projetado da Suzano entre 5% e 6%. Para a Vale, a sensibilidade estimada varia de 4,5% a 5%, enquanto na Gerdau fica entre 4% e 5%. Os indicadores são calculados em reais e consideram tanto movimentos de valorização quanto de desvalorização da moeda brasileira.

No segmento de papel e celulose, a Suzano ocupa a posição de principal preferência do banco. A avaliação combina a expectativa de preços mais elevados da celulose em 2026 e 2027 com o aumento dos volumes de produção após a conclusão da fase de expansão operacional do Projeto Cerrado.

Os analistas também esperam uma redução substancial dos investimentos da companhia, conhecidos como capex, depois da entrada em operação plena do empreendimento. A combinação de maior capacidade produtiva e menor necessidade de desembolsos tende a favorecer a geração de caixa da empresa.

Para a Vale, o J.P. Morgan destaca a redução de incertezas jurídicas e a evolução dos indicadores operacionais. O acordo relacionado ao desastre de Mariana é apontado como um dos principais acontecimentos positivos para a mineradora, por estabelecer um valor definido para uma obrigação que representava uma fonte relevante de incerteza.

Na avaliação do banco, esses fatores favoráveis já deveriam ter produzido uma valorização mais expressiva das ações. A instituição também ressalta o desempenho do negócio de minério de ferro, sustentado por produção consistente e tendência de redução dos custos operacionais.

Diante desse conjunto de fatores, o J.P. Morgan reafirmou sua recomendação overweight para os papéis da mineradora.

No setor siderúrgico, a Gerdau permanece entre as principais escolhas da instituição devido à participação significativa de suas operações no mercado norte-americano.

O relatório destaca que as medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump, incluindo a tarifa de 50% sobre o aço importado pelos Estados Unidos, contribuíram para sustentar preços mais elevados e fortalecer a demanda regional.

Com presença produtiva no país, a Gerdau apresenta uma exposição considerada favorável a essas condições, diferenciando-se de concorrentes brasileiros mais dependentes do mercado doméstico.

Para o J.P. Morgan, a combinação entre receitas vinculadas ao dólar, perspectivas operacionais e características específicas de cada negócio sustenta a preferência pelas três empresas. A recomendação overweight indica expectativa de desempenho superior ao índice de referência utilizado pelo banco, sem representar garantia de valorização das ações.

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