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JPMorgan destaca ações defensivas após queda da Bolsa

PMorgan destaca Vale, Itaú, Sabesp e outras 12 empresas após turbulência eleitoral. Banco também aponta cinco ações com perspectivas menos favoráveis

A recuperação do mercado acionário brasileiro após a forte queda provocada pelo resultado das eleições presidenciais poderá depender menos da reação imediata dos investidores e mais da capacidade das empresas de apresentar resultados consistentes. Essa é a avaliação do JPMorgan, que divulgou nesta terça-feira (27) uma nova análise sobre o Brasil e identificou 15 companhias com características consideradas mais adequadas ao atual ambiente de volatilidade.

O relatório, elaborado pela equipe de estrategistas liderada por Emy Shayo Cherman, considera que os investidores deverão construir uma nova perspectiva para os ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O banco avalia que esse processo poderá deslocar gradualmente a atenção do resultado eleitoral para os fundamentos das empresas e as condições da economia internacional.

A análise foi publicada depois de o Ibovespa encerrar a segunda-feira (26) com desvalorização de 13,88%, no menor patamar desde 31 de agosto. Durante o pregão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a recuar mais de 17%, provocando o acionamento do circuit breaker pela primeira vez em seis anos.

Para avaliar o comportamento dos mercados em situações semelhantes, o JPMorgan examinou episódios de estresse registrados desde o início dos anos 2000. O levantamento mostra que o Ibovespa apresentou queda média de 17,5% nesses eventos, levando aproximadamente 123 dias para recuperar os níveis anteriores. No caso do MSCI Brazil, índice que acompanha ações brasileiras negociadas no mercado internacional, a perda média foi de 25,2%.

O banco ressalta que esses números representam médias históricas e não constituem uma previsão para a atual crise. Segundo os estrategistas, o câmbio e as taxas de juros costumam apresentar um processo de normalização mais prolongado do que o observado no mercado acionário.

A instituição também identifica diferenças entre o cenário atual e o período posterior às eleições de 2022. Naquele momento, a economia brasileira atravessava uma fase de recuperação após a pandemia. Agora, o JPMorgan aponta maior fragilidade das contas públicas e sinais de desaceleração da atividade econômica, fatores que poderão influenciar o ritmo de estabilização dos ativos.

Diante dessas condições, a seleção de ações do banco privilegia companhias com balanços sólidos, receitas vinculadas ao dólar ou à inflação e menor dependência do consumo doméstico. A estratégia busca reduzir a exposição a empresas cujo desempenho financeiro é mais sensível à manutenção de juros elevados.

Entre as ações destacadas estão Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3), Rede D’Or (RDOR3), Hypera (HYPE3), BradSaúde (SAUD3), Eneva (ENEV3) e Sabesp (SBSP3). O JPMorgan também inclui Itaú (ITUB4), BTG Pactual (BPAC11), Santander Brasil (SANB11), Afya, Totvs (TOTS3), Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3).

No caso da Vale, os analistas mencionam fatores específicos que sustentam sua preferência, como a possibilidade de ganhos decorrentes da desvalorização do real, o desempenho da produção de minério de ferro, a redução de custos operacionais e a diminuição das incertezas relacionadas ao desastre de Mariana.

Na outra ponta, o banco apresenta uma visão menos favorável para Magazine Luiza (MGLU3), Pague Menos (PGMN3), Assaí (ASAI3), Azul (AZUL3) e Cyrela (CYRE3). Essas companhias são consideradas mais expostas às condições do mercado doméstico, ao custo do financiamento e às mudanças nas expectativas de crescimento econômico.

O JPMorgan observa que empresas com maior necessidade de capital ou cujos resultados dependem de uma expansão mais acelerada do consumo podem enfrentar dificuldades adicionais caso os juros permaneçam elevados por mais tempo. A avaliação também considera os efeitos da incerteza fiscal sobre as decisões de investimento e o comportamento dos consumidores.

Embora o banco considere possível uma acomodação gradual dos mercados, o relatório não estabelece um prazo específico para a recuperação do Ibovespa após a queda desta semana. A instituição destaca que o comportamento dos ativos brasileiros continuará condicionado à evolução dos fundamentos econômicos e ao ambiente internacional.

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