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Pix avança e taxas dos cartões caem para lojistas

Banco Central revela avanço do Pix e redução das taxas cobradas do comércio nas vendas com cartões

O avanço dos pagamentos digitais no Brasil veio acompanhado de uma redução nos custos médios das transações com cartões para o comércio. Dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Banco Central mostram que o Pix ampliou sua participação nas operações financeiras, enquanto as taxas cobradas dos estabelecimentos nas vendas com cartões de crédito e débito registraram queda no primeiro semestre de 2026.

O levantamento aponta que o Pix concentrou 55,2% de todas as transações de pagamento realizadas no país entre janeiro e junho, ante 50,9% no mesmo período de 2025. Foram quase 44 bilhões de operações, crescimento de 19,4% em um ano.

Considerando todos os instrumentos de pagamento, o Brasil registrou 79,7 bilhões de transações no semestre, que movimentaram R$ 71,9 trilhões. O número de operações aumentou 12,3%, enquanto o volume financeiro apresentou expansão de 20,8% na comparação anual.

Embora lidere em quantidade de pagamentos, o Pix ocupa a segunda posição em valores movimentados, com 28,1% do total. A Transferência Eletrônica Disponível (TED) permanece na liderança nesse indicador, respondendo por 32,7% dos recursos transferidos. O valor médio das operações via Pix chegou a R$ 459, aproximadamente 7% acima do registrado um ano antes.

O crescimento também alcançou o Pix Automático, modalidade destinada a pagamentos recorrentes, como mensalidades e assinaturas. No segundo trimestre, a ferramenta contabilizou 9,5 milhões de transações, que somaram R$ 3,5 bilhões. Nos três primeiros meses do ano, haviam sido registradas 4 milhões de operações, no valor de R$ 2,3 bilhões.

Entre as formas de iniciar pagamentos pelo Pix, o QR Code dinâmico respondeu por 43,2% das transações no segundo trimestre. As operações realizadas por meio de chaves representaram 37,2%, enquanto a digitação manual dos dados bancários concentrou 10,8%.

Apesar da expansão do sistema de pagamentos instantâneos, os cartões continuam relevantes no mercado brasileiro. Juntas, as modalidades de crédito, débito e pré-pago registraram 24,5 bilhões de transações no primeiro semestre, equivalentes a 30,8% do total. Somente o cartão de crédito apresentou crescimento de 9,2% na quantidade de operações e de 13,8% nos valores movimentados.

Para os comerciantes, uma das principais mudanças foi a redução da taxa média de desconto, conhecida como MDR, cobrada pelas empresas responsáveis pelo processamento dos pagamentos. Nas vendas com cartão de crédito, o percentual passou de 2,24% no primeiro semestre de 2025 para 2,11% em 2026. No débito, a taxa recuou de 1,08% para 1,06%.

Em contrapartida, a tarifa de intercâmbio do cartão de crédito, destinada à remuneração dos bancos emissores, aumentou para 1,7%. Segundo o Banco Central, parte desse movimento pode estar relacionada à expansão dos cartões premium, que alcançaram 80,9 milhões de unidades ativas, crescimento de 34% em relação ao ano anterior.

O levantamento também mostra mudanças nos hábitos de consumo. No segundo trimestre, as compras pela internet representaram 22% das transações com cartão de crédito e 28,1% dos valores movimentados nessa modalidade. Já os pagamentos recorrentes responderam por 10,6% das operações, acima dos 9,4% registrados um ano antes.

Nas compras presenciais, a tecnologia de aproximação consolidou sua liderança. Ela foi utilizada em 46% das transações com cartão de crédito e em 57,7% das operações com débito. O parcelamento, por sua vez, permaneceu estável: 88,1% das compras no crédito foram realizadas à vista, embora as operações parceladas tenham representado quase metade do valor financeiro movimentado.

Os meios tradicionais de movimentação financeira continuaram perdendo espaço. O número de saques caiu 10,3%, totalizando 1,2 bilhão de operações no semestre. O Pix Saque também apresentou retração de 21%, enquanto o valor movimentado por cheques diminuiu 16,2%, passando a representar apenas 0,4% do total transacionado no país.

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