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FIIs despencam após eleição: vender ou manter?

Queda dos fundos imobiliários chega a 17% após eleição. Analistas explicam os riscos e o que avaliar antes de tomar decisões

A desvalorização dos fundos imobiliários após as eleições presidenciais colocou os investidores diante de uma decisão: vender as cotas para evitar novas perdas ou aproveitar os preços mais baixos para aumentar suas posições. Para especialistas do mercado, a resposta depende principalmente da qualidade dos ativos, da situação financeira dos fundos e dos objetivos de cada investidor.

Na segunda-feira (26), o IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, encerrou o pregão com queda de 5,68%, seu terceiro pior desempenho diário desde a criação do indicador. O recuo foi o mais intenso desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.

A desvalorização atingiu todos os 97 fundos que compunham o índice. Entre as maiores perdas, o TG Ativo Real (TGAR11) caiu 17,22%, seguido pelo VBI Prime Properties (PVBI11), com baixa de 15,12%, e pelo Valora Hedge Fund (VGHF11), que recuou 13,91%. O JS Real Estate (JSRE11) também apresentou queda expressiva, de 13,84%.

O movimento ocorreu no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que levou parte dos investidores a rever suas expectativas para a economia brasileira. A principal consequência para os fundos imobiliários foi a disparada dos juros futuros, que aumentou o retorno exigido pelo mercado para aplicações de maior risco.

Quando as taxas de juros sobem, os títulos de renda fixa passam a oferecer remunerações mais elevadas. Isso reduz a atratividade relativa dos fundos imobiliários e pressiona os preços de suas cotas. O efeito costuma ser mais intenso nos fundos que investem diretamente em imóveis, como edifícios comerciais, galpões logísticos e shopping centers.

Apesar da queda, analistas da XP e da Suno destacam que a desvalorização das cotas não significa necessariamente uma deterioração equivalente dos imóveis ou da capacidade dos fundos de gerar renda. Marcos Baroni, responsável pela área de fundos imobiliários da Suno, ressalta a importância de distinguir as oscilações provocadas pelo mercado das mudanças efetivas nos resultados operacionais.

Essa avaliação envolve indicadores como ocupação dos imóveis, qualidade dos inquilinos, duração dos contratos de locação e endividamento. Nos fundos de recebíveis imobiliários, também conhecidos como fundos de papel, a atenção deve se concentrar na qualidade dos devedores, nas garantias e nos riscos de inadimplência.

A queda dos preços pode elevar o rendimento percentual dos dividendos em relação ao valor de mercado das cotas. Entretanto, esse indicador, conhecido como dividend yield, não deve ser analisado isoladamente. Um fundo aparentemente barato pode enfrentar dificuldades financeiras capazes de comprometer suas distribuições futuras.

Para quem já possui fundos imobiliários, a orientação dos especialistas é evitar decisões precipitadas motivadas exclusivamente pelas perdas de um pregão. A venda pode ser justificável quando houver deterioração dos fundamentos ou necessidade de reequilibrar a carteira, mas a oscilação de preço, por si só, não determina que um investimento tenha perdido sua capacidade de gerar resultados.

A mesma cautela vale para novos aportes. Embora a correção tenha reduzido o preço de diversos fundos, os analistas recomendam respeitar os limites de exposição definidos para a carteira e priorizar ativos com qualidade operacional e financeira. Comprar apenas porque uma cota caiu muito pode ampliar os riscos em um cenário de juros elevados.

O comportamento dos fundos imobiliários nos próximos meses dependerá da trajetória dos juros, das expectativas para as contas públicas e do desempenho dos próprios empreendimentos. Para investidores com horizonte de longo prazo, o acompanhamento desses fatores tende a ser mais relevante do que tentar antecipar os movimentos de curto prazo da Bolsa.

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