Os títulos públicos brasileiros voltaram a oferecer taxas mais elevadas nesta quarta-feira (28), em meio à persistência das preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas. O Tesouro IPCA+ 2032 alcançou remuneração de 7,97% ao ano acima da inflação, enquanto os papéis prefixados chegaram a superar 15%, refletindo o aumento dos juros exigidos pelo mercado.
A alta ganhou intensidade ao longo da manhã e atingiu praticamente todos os vencimentos disponíveis no Tesouro Direto. Na atualização divulgada pelo InfoMoney, o Prefixado 2032 passou de 15,06% no fechamento de terça-feira para 15,27% ao ano, avanço de 0,21 ponto percentual.
O maior aumento entre os prefixados ocorreu no título com pagamento de juros semestrais e vencimento em 2037. Sua taxa subiu de 14,86% para 15,08% ao ano. Já o Prefixado 2029 passou de 14,79% para 14,93%, mantendo-se abaixo dos níveis superiores a 15% registrados no início da semana.
Entre os papéis corrigidos pela inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 apresentou a maior variação. A taxa real avançou de 7,78% para 7,97% ao ano, aproximando-se novamente da marca de 8%. Isso significa que novos investidores poderiam contratar uma remuneração composta pela variação do IPCA acrescida de juros reais de 7,97% ao ano, desde que mantivessem o investimento até o vencimento.
Nos prazos mais longos, os movimentos foram menos intensos. O Tesouro IPCA+ 2040 oferecia IPCA mais 7,57%, enquanto o papel com vencimento em 2050 pagava IPCA mais 7,18%. O Tesouro Selic 2031, por sua vez, apresentava remuneração equivalente à taxa básica de juros acrescida de 0,1034% ao ano.
A pressão sobre os títulos públicos ocorreu simultaneamente a uma nova sessão de perdas na Bolsa brasileira. Por volta do meio-dia, o Ibovespa recuava 2,78%, aos 170.828 pontos, depois de ter apresentado um comportamento mais estável na terça-feira.
Segundo analistas de mercado, os investidores continuam aguardando definições sobre o ajuste fiscal e a composição da equipe econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ausência de informações consideradas suficientes para avaliar a trajetória das despesas e da dívida pública contribui para a elevação dos prêmios de risco.
Outro fator de atenção foi a notícia de que o governo estaria estudando a possibilidade de voltar a cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações atualmente isentas, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures incentivadas. Até a publicação das informações, não havia anúncio oficial sobre a medida nem definição de uma possível alíquota.
O ambiente internacional também influenciou os negócios. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano avançavam antes da decisão de juros do Federal Reserve, prevista para a tarde desta quarta-feira. O mercado trabalhava majoritariamente com a expectativa de manutenção das taxas americanas entre 3,75% e 4% ao ano.
Para quem pretende investir no Tesouro Direto, a elevação das taxas permite contratar rendimentos maiores em novas aplicações. Entretanto, o movimento provoca desvalorização dos títulos prefixados e indexados à inflação que já estão nas carteiras, devido à chamada marcação a mercado.
Essa oscilação é especialmente importante para investidores que precisam vender os papéis antes do vencimento. Nesse caso, o valor recebido dependerá das condições de mercado no momento do resgate e poderá ser inferior ao montante aplicado. Para quem mantém os títulos até a data prevista, prevalecem as condições de remuneração contratadas na compra, observadas as regras de cada produto.










