A Petrobras (PETR4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com o maior volume de produção de petróleo e gás natural de sua história, superando antecipadamente níveis previstos em seu planejamento para 2028. Entre julho e setembro, a estatal produziu, em média, 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Os números foram divulgados na noite desta quarta-feira (28), no relatório de produção e vendas da companhia. Na comparação com o segundo trimestre, quando a produção havia alcançado 3,336 milhões de barris diários, o avanço foi de 5,3%.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho das plataformas instaladas no pré-sal, pela entrada de novos poços em operação e pela redução das interrupções para manutenção. Segundo a Petrobras, a eficiência operacional atingiu o melhor nível desde o quarto trimestre de 2018.
A produção de petróleo e líquidos de gás natural no Brasil chegou a 2,832 milhões de barris por dia, alta de 12,4% em um ano. Desse total, 2,454 milhões de barris diários vieram do pré-sal, que registrou expansão de 15,9% na comparação anual.
O campo de Búzios, na Bacia de Santos, teve participação importante nesse desempenho. A plataforma Almirante Tamandaré alcançou produção média de 263 mil barris por dia em julho, estabelecendo um recorde mensal para uma unidade de produção no Brasil. As plataformas do campo também superaram, pela primeira vez, a marca de 11 milhões de metros cúbicos diários de gás natural exportado para o mercado.
Em Mero, o navio-plataforma Alexandre de Gusmão atingiu a capacidade originalmente projetada de 180 mil barris por dia em agosto e, após uma ampliação autorizada, chegou ao pico de 190 mil barris diários em setembro. Outra unidade do campo, o FPSO Sepetiba, alcançou 212 mil barris por dia no mesmo mês.
A expansão das atividades incluiu a entrada em operação de 12 novos poços produtores durante o trimestre, divididos igualmente entre as bacias de Santos e Campos. Considerando também a parcela pertencente às empresas parceiras nos campos operados pela Petrobras, a produção total chegou a 5,082 milhões de barris de óleo equivalente por dia, outro recorde.
O crescimento da produção também se refletiu nas vendas externas. As exportações de petróleo e derivados alcançaram 1,251 milhão de barris por dia, volume 20,7% superior ao registrado no terceiro trimestre de 2025. Somente as exportações de petróleo somaram 987 mil barris diários, com a China respondendo por 40% dos embarques.
No mercado brasileiro, as vendas de derivados atingiram 1,854 milhão de barris por dia, crescimento de 6,4% em relação ao trimestre anterior. O diesel apresentou aumento de 14,4% nas vendas, favorecido pelo início do plantio da safra de verão e pela atividade industrial. Já o querosene de aviação registrou expansão de 9,9%.
A produção de diesel nas refinarias também estabeleceu um recorde trimestral, chegando a 769 mil barris por dia. O parque de refino operou com fator de utilização de 99%, enquanto a produção total de derivados ficou em 1,873 milhão de barris diários, apesar das paradas programadas para manutenção na Refinaria Presidente Bernardes.
Nem todos os indicadores, entretanto, acompanharam o crescimento. A produção de petróleo no pós-sal recuou 4,2% em relação ao segundo trimestre, afetada por intervenções na Bacia de Campos e pelo declínio natural de campos maduros.
Na área ambiental, as emissões de gases de efeito estufa das atividades de petróleo e gás somaram 37,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente nos nove primeiros meses do ano, acima dos 35 milhões registrados no mesmo período de 2025. A Petrobras atribuiu o aumento ao maior volume produzido e processado, embora tenha registrado redução das emissões por barril produzido.
O desempenho operacional ocorre em um cenário de preços elevados do petróleo no mercado internacional. Para os investidores, a combinação entre maior produção e preços da commodity é relevante para a geração de receitas e caixa da companhia, mas o impacto sobre os resultados financeiros dependerá também dos custos operacionais, dos investimentos e das condições de comercialização.
Os resultados financeiros do terceiro trimestre ainda serão apresentados pela Petrobras. O relatório divulgado nesta quarta-feira reúne os indicadores operacionais e comerciais, sem antecipar o lucro líquido ou eventuais pagamentos de dividendos aos acionistas.










