O financiamento da casa própria ficou mais caro nos principais bancos privados do Brasil após a forte elevação dos juros futuros no mercado financeiro. Bradesco, Itaú Unibanco e Santander anunciaram reajustes nas condições de crédito imobiliário nesta semana, refletindo o aumento do custo de captação de recursos e a maior percepção de risco fiscal após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O movimento começou pelo Bradesco, que elevou sua taxa mínima de referência de aproximadamente 11,7% para 15% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR). O reajuste de cerca de 3,3 pontos percentuais foi o mais expressivo entre os três bancos e atingiu as condições oferecidas para novas operações de financiamento.
Na quinta-feira (29), o Itaú também anunciou mudanças. A taxa mínima passou de 11,99% para 12,95% ao ano, mais TR, aumento de 0,96 ponto percentual. Segundo a instituição, a revisão acompanha as oscilações recentes da curva de juros e busca adequar as condições de financiamento ao custo de obtenção dos recursos utilizados nas operações.
O Santander confirmou o reajuste no fim do mesmo dia. A partir desta sexta-feira (30), a taxa mínima oferecida pelo banco passa de 11,69% para 12,49% ao ano, também acrescida da TR. A instituição informou que acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário para definir os preços de seus produtos de crédito.
A elevação das taxas ocorreu depois da reação do mercado financeiro ao resultado das eleições presidenciais. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, os contratos de juros futuros registraram forte valorização, em meio às preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas e o financiamento da dívida federal.
O contrato de Depósitos Interfinanceiros (DI) com vencimento em janeiro de 2037, por exemplo, passou de 12,65% para 15,30% ao ano entre o fechamento de 23 de outubro e o pregão de 26 de outubro. A variação de 2,65 pontos percentuais elevou as referências utilizadas pelo mercado para operações de crédito de longo prazo.
Embora a taxa Selic esteja em 13,75% ao ano, os juros cobrados nos financiamentos imobiliários não dependem exclusivamente da política monetária definida pelo Banco Central. Os bancos também consideram o custo dos recursos captados, as expectativas para os juros nos próximos anos, o risco das operações e as condições de liquidez do sistema financeiro.
Outro fator relevante é a redução dos recursos disponíveis na poupança, uma das principais fontes de financiamento habitacional. Entre janeiro e setembro de 2026, os saques superaram os depósitos em R$ 53,2 bilhões, diminuindo a disponibilidade de uma modalidade tradicional de captação para os bancos.
Para os consumidores, a consequência mais imediata é o aumento do valor das prestações e do custo total de novos contratos. Juros mais elevados também podem reduzir o valor máximo que uma família consegue financiar, já que as instituições financeiras estabelecem limites para o comprometimento da renda mensal.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) estima que cada ponto percentual de aumento nos juros pode retirar aproximadamente 1,3 milhão de famílias do mercado de financiamento habitacional. O encarecimento do crédito também tende a afetar a demanda por imóveis e o ritmo de novos empreendimentos.
A atenção do setor agora se volta para a Caixa Econômica Federal, principal instituição de crédito habitacional do país. O banco público ainda não havia anunciado reajustes semelhantes até a divulgação das informações. Sua política de financiamento tem peso significativo no mercado, especialmente nas operações voltadas à população de menor renda.
As novas taxas divulgadas pelos bancos são referências iniciais e não representam necessariamente as condições oferecidas a todos os clientes. O custo efetivo de cada financiamento depende do perfil do comprador, do relacionamento com a instituição, do prazo de pagamento, do valor de entrada e das características do imóvel.










