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Selic a 13,75%? Mercado vê risco de fim dos cortes após eleição

Após turbulência nos mercados e aumento do risco fiscal, Copom pode manter Selic em 13,75% e encerrar ciclo de cortes; economistas avaliam os riscos

A possibilidade de o Banco Central encerrar o ciclo de cortes da Selic em 13,75% ao ano ganhou força após a reação negativa dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em apenas cinco pregões, o Ibovespa acumulou sua pior queda semanal desde março de 2020, o dólar avançou e os juros futuros dispararam. Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia nesta quarta-feira (4) uma decisão que poderá interromper a sequência de cinco reduções consecutivas da taxa básica.

A mudança nas expectativas foi expressiva. Antes do segundo turno, investidores projetavam novos cortes, mas as opções negociadas na B3 passaram a indicar probabilidade próxima de 70% de manutenção dos juros. Para Guilherme Ghidetti, sócio e CIO da Jera Capital, a reunião ganhou importância por ocorrer em um ambiente de elevada incerteza fiscal. Gabriel Magno, da AW Capital, também avalia que a preocupação com o crescimento da dívida pública e a ausência de definições sobre as contas do próximo governo justificam uma postura mais cautelosa do Banco Central.

O principal risco está nos efeitos da desvalorização cambial e da alta dos prêmios de risco sobre a inflação. Leandro Padulla, economista do ASA, explica que o Copom precisará avaliar se essas pressões serão temporárias ou persistentes. Embora a desaceleração da atividade econômica ainda ofereça argumentos para uma redução de 0,25 ponto percentual, especialistas consideram que um corte neste momento poderia ampliar a instabilidade. O Bradesco, entretanto, mantém a projeção de Selic a 13,50%, mesmo reconhecendo a pressão adicional do dólar e do petróleo sobre os preços.

A situação fiscal concentra as maiores preocupações. A dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, enquanto a Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, estima impacto de R$ 40 bilhões sobre as contas públicas decorrente de medidas como mudanças na tributação das apostas, benefícios a microempreendedores e reajuste do Bolsa Família. O cálculo não contempla outras promessas eleitorais, incluindo a ampliação do ensino integral e a criação do Pé-de-Meia universitário. Apesar de sinalizar compromisso com o ajuste fiscal, o governo ainda não detalhou como pretende financiar todas essas iniciativas.

Para Pierre Jadoul, da ARX Investimentos, a ausência de medidas fiscais consistentes pode pressionar os juros de longo prazo e encarecer o financiamento das empresas, mesmo diante de uma eventual redução da Selic. Alexandre Muller, da Leto Capital, projeta juros médios de dois dígitos durante o próximo mandato, enquanto Bernardo Feijó, da Kapitalo Investimentos, considera que o debate poderá passar de novos cortes para a possibilidade de elevação da taxa básica. Entre os analistas, predomina a avaliação de que a credibilidade fiscal será determinante para a trajetória dos juros.

A manutenção da Selic favorece a continuidade de rendimentos elevados em aplicações pós-fixadas, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI. Já os títulos prefixados e indexados à inflação permanecem expostos à volatilidade dos juros futuros. Além da decisão desta quarta-feira, o comunicado do Copom será decisivo para indicar se a pausa poderá ser temporária ou se o BC considera necessário manter os juros elevados por mais tempo, inclusive na reunião de dezembro.

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