O BTG Pactual reformulou sua carteira recomendada de fundos imobiliários para novembro de 2026, com mudanças voltadas à redução de riscos em um cenário de juros elevados e maior incerteza fiscal. A seleção reúne 15 FIIs e registrou dividend yield anualizado de 11,5% em outubro, enquanto o banco reforça a preferência por ativos com maior previsibilidade de geração de renda.
A principal alteração foi a retirada do RBRY11, acompanhada da redução de 0,5 ponto percentual na participação do GZIT11. Em contrapartida, o BTG elevou em 1 ponto percentual as posições em KNHF11 e KNCR11 e em 0,5 ponto percentual a alocação em MCCI11. As mudanças refletem uma postura mais cautelosa em relação aos fundos expostos ao crédito estruturado.
Segundo os analistas Matheus Oliveira e Caio Araujo, a revisão busca adequar o risco do portfólio às condições do mercado brasileiro, especialmente após a abertura da curva de juros e a deterioração das expectativas fiscais. A saída do RBRY11 foi justificada pela decisão de reduzir a exposição a operações de crédito com maior sensibilidade às oscilações econômicas.
No segmento de recebíveis imobiliários, o banco passou a privilegiar fundos classificados como high grade, caracterizados por operações com devedores de melhor qualidade de crédito e garantias consideradas mais robustas. KNCR11 e MCCI11 ganharam espaço por apresentarem, na avaliação dos analistas, uma relação mais favorável entre risco e retorno, principalmente para investidores interessados na distribuição de rendimentos.
O aumento da participação no KNHF11 foi sustentado pela diversificação de sua carteira e pelo desconto de negociação em relação à média histórica. Para o BTG, essas características oferecem uma oportunidade de exposição ao mercado imobiliário sem concentrar os investimentos em uma única estratégia.
A revisão ocorre depois de um outubro marcado por forte volatilidade nos ativos brasileiros. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma mudança nas expectativas dos investidores, com alta do dólar, aumento dos juros futuros e queda das cotações na Bolsa. Para os FIIs, esse movimento elevou o retorno exigido pelo mercado e intensificou a concorrência com aplicações de renda fixa.
Apesar da pressão sobre os preços das cotas, o BTG considera que os fundamentos operacionais de segmentos importantes do mercado imobiliário permanecem relativamente saudáveis. Nos fundos de escritórios, a demanda por imóveis de qualidade e a baixa oferta de novos empreendimentos favorecem regiões consolidadas. No setor logístico, os elevados níveis de ocupação e o crescimento dos aluguéis sustentam as receitas.
Os fundos de shopping centers enfrentam um ambiente de consumo mais desafiador, embora empreendimentos competitivos e com maior diversificação de lojistas apresentem melhores condições para preservar resultados. Já no segmento de recebíveis, a instituição recomenda cautela adicional com operações de maior risco de crédito, conhecidas como high yield.
Em outubro, a carteira recomendada do BTG registrou desvalorização de 2,71%, desempenho ligeiramente superior ao IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, que caiu 2,89%. No acumulado de 2026, a seleção apresenta perda de 2,24%, ante recuo de 3,41% do indicador de referência.
Entre os 15 fundos selecionados para novembro, o TRXF11 apresenta o maior dividend yield anualizado, de 16,8%, seguido por BTCI11, com 13,8%, MCCI11, com 13,4%, e KNHF11, com 13,3%. O KNCR11, que concentra a maior participação na carteira, com peso de 15%, apresenta rendimento anualizado de 12,9%.
A composição também inclui KNIP11, BTLG11, VILG11, BRCO11, HGLG11, BRCR11, PVBI11, GZIT11, HSML11 e VISC11, distribuídos entre recebíveis, galpões logísticos, escritórios e shopping centers. A diversificação busca equilibrar a geração de renda com a exposição a diferentes segmentos do mercado imobiliário.
O rendimento anualizado de 11,5% corresponde ao desempenho observado na distribuição de dividendos da carteira e não representa uma garantia para os próximos meses. A evolução dos pagamentos dependerá dos resultados dos fundos, das condições de crédito, da ocupação dos imóveis e do comportamento dos juros.
| Fundo | Peso | Segmento | Dividend yield anualizado |
|---|---|---|---|
| BTCI11 | 6,0% | Recebíveis | 13,8% |
| KNCR11 | 15,0% | Recebíveis | 12,9% |
| KNIP11 | 14,0% | Recebíveis | 8,4% |
| MCCI11 | 8,5% | Recebíveis | 13,4% |
| VILG11 | 5,5% | Galpão logístico | 11,0% |
| BRCO11 | 2,5% | Galpão logístico | 10,4% |
| BTLG11 | 13,0% | Galpão logístico | 9,9% |
| HGLG11 | 3,0% | Galpão logístico | 9,4% |
| BRCR11 | 4,5% | Laje corporativa | 12,4% |
| PVBI11 | 5,0% | Laje corporativa | 7,3% |
| KNHF11 | 6,0% | Hedge fund | 13,3% |
| GZIT11 | 2,0% | Shopping center | 12,5% |
| HSML11 | 2,0% | Shopping center | 11,3% |
| VISC11 | 6,0% | Shopping center | 10,2% |
| TRXF11 | 7,0% | Híbrido | 16,8% |










