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XP prevê Selic em 13,75% até o fim de 2027

Instituição abandona previsão de redução dos juros, eleva estimativas para inflação e dólar e projeta crescimento de apenas 0,3%

A perspectiva de juros elevados por mais tempo levou a XP Investimentos a revisar suas projeções para a economia brasileira e eliminar a expectativa de novos cortes da taxa Selic até dezembro de 2027. No relatório macroeconômico divulgado nesta sexta-feira (6), a instituição passou a estimar que os juros permanecerão em 13,75% ao ano durante todo o período, diante da deterioração das expectativas de inflação e do aumento dos riscos econômicos.

A mudança representa uma revisão significativa do cenário anterior. Até então, a XP projetava a Selic em 13,25% no encerramento de 2026 e em 11,50% no fim de 2027. A nova avaliação foi apresentada dois dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper o ciclo de flexibilização monetária e manter a taxa básica em 13,75% ao ano.

O principal fator para a revisão é a piora das perspectivas inflacionárias. A instituição elevou sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2027 de 4,4% para 5,5%, percentual acima do limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação. Para 2026, a projeção passou de 5,1% para 5,2%.

A XP identifica pressões tanto no cenário internacional quanto na economia doméstica. Entre os fatores externos estão os custos mais elevados de energia e a manutenção de políticas monetárias restritivas nas principais economias. Internamente, a instituição aponta riscos associados aos efeitos climáticos do El Niño, às mudanças na jornada de trabalho, à reforma tributária e à defasagem dos preços dos combustíveis.

As preocupações com a trajetória das contas públicas também ganharam peso nas projeções. Segundo a análise, as incertezas fiscais contribuem para manter elevados os prêmios de risco exigidos pelos investidores e pressionam a taxa de câmbio, ampliando os efeitos dos choques internacionais sobre os preços praticados no Brasil.

Nesse contexto, a XP elevou sua estimativa para o dólar no encerramento de 2026 de R$ 5,00 para R$ 5,30. Para o fim de 2027, a projeção passou de R$ 5,30 para R$ 5,50. Uma desvalorização adicional do real poderia intensificar as pressões inflacionárias e exigir uma resposta mais restritiva do Banco Central.

Apesar desse risco, a instituição considera que uma nova elevação da Selic enfrenta obstáculos importantes. O principal deles é a desaceleração da atividade econômica, que já reflete o impacto dos juros elevados e do endividamento de empresas e famílias sobre o consumo, o crédito e os investimentos.

A XP reduziu sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 de 1,7% para 1,5%. Para 2027, a revisão foi ainda mais expressiva, de 1% para apenas 0,3%. A instituição estima que a economia brasileira passará a operar abaixo de sua capacidade potencial a partir do segundo trimestre do próximo ano, antecipando em três meses a previsão anterior.

Esse enfraquecimento da demanda tende a reduzir gradualmente as pressões sobre os preços. Nas simulações realizadas pela XP com base no modelo utilizado pelo Banco Central, a manutenção da Selic em 13,75% poderia conduzir a inflação para perto da meta de 3% em aproximadamente seis trimestres, desde que as demais condições consideradas permaneçam inalteradas.

A instituição avalia, portanto, que os riscos para os próximos movimentos dos juros estão distribuídos em ambas as direções. Uma estabilização dos ativos brasileiros e uma melhora das expectativas inflacionárias poderiam permitir a retomada dos cortes. Por outro lado, uma deterioração adicional do câmbio e das condições econômicas poderia levar o Copom a considerar novos aumentos.

A revisão da XP amplia o debate sobre os efeitos de uma política monetária restritiva prolongada. Para consumidores e empresas, a manutenção da Selic em patamar elevado tende a preservar o custo do crédito e dificultar decisões de financiamento. No mercado financeiro, o cenário também influencia os preços dos títulos públicos, as taxas de financiamento e as perspectivas de retorno dos investimentos.

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