Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional
O ciclo de redução da taxa Selic, iniciado em março de 2026, quando os juros estavam em 15% ao ano, foi interrompido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira (4 de novembro). Após alguns cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, que levaram a taxa a 13,75% em setembro, o Banco Central decidiu manter os juros nesse patamar diante da piora das expectativas de inflação, das incertezas fiscais e de um ambiente econômico mais adverso.
A preocupação do mercado está concentrada no desequilíbrio das contas públicas, no crescimento da dívida e na falta de previsibilidade da política econômica. Esses fatores aumentam a percepção de risco e dificultam novos cortes da Selic.
A Bolsa de Valores, que vinha registrando fortes altas diante das expectativas eleitorais, sofreu uma queda expressiva após a vitória de Lula, refletindo a maior cautela dos investidores com os rumos da economia. Mesmo com a Bolsa em queda, o investidor pode encontrar boas oportunidades.
A desvalorização de ações e cotas de fundos imobiliários permite, em alguns casos, adquirir ativos de qualidade por preços mais baixos, com possibilidade de valorização futura. Se a empresa continua sólida, apresenta bons resultados e mantém perspectivas positivas, a queda pode representar uma oportunidade de compra, e não um sinal de prejuízo no longo prazo. Por isso, sempre bato na tecla: é fundamental entender o básico sobre investimentos e saber avaliar a qualidade dos ativos, e não apenas acompanhar as oscilações dos preços.
Investir com conhecimento significa compreender que o mercado passa por ciclos de alta e de baixa, e que decisões tomadas por medo ou euforia comprometem a construção de patrimônio. Mais importante do que tentar prever o próximo movimento da Bolsa é ter paciência, diversificar a carteira e manter uma estratégia alinhada aos seus objetivos. Investir não é buscar ganhos imediatos (investir não é aposta), mas construir resultados consistentes ao longo do tempo.
O mercado sempre traz oportunidades, mas nem todos estarão preparados para reconhecê-las. Enquanto os juros elevados tornam a renda fixa atrativa, as oscilações da Bolsa podem favorecer quem investe com conhecimento, paciência e visão de longo prazo.
Construir patrimônio no longo prazo não exige acertar todos os movimentos do mercado, mas saber tomar boas decisões em diferentes cenários econômicos. Como ensina Howard Marks, no livro ‘Dominando o Ciclo de Mercado’: compreender os ciclos permite atravessar os períodos de alta e de baixa com mais tranquilidade e menos decisões impulsivas.
O melhor investimento começa antes de comprar qualquer ativo: começa com conhecimento. Invista primeiro nele para tomar decisões mais conscientes e construir patrimônio no longo prazo.









