A atividade industrial brasileira começou 2026 em um quadro de retração mais intensa, com sinais disseminados de fraqueza na produção, nas encomendas e no mercado de trabalho. Levantamento divulgado nesta segunda-feira indica que o setor segue pressionado pelo enfraquecimento da demanda doméstica e externa, aprofundando um movimento negativo observado nos meses finais do ano passado.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria, elaborado pela S&P Global, recuou para 47,0 em janeiro, ante 47,6 em dezembro. O resultado marca a leitura mais baixa em quatro meses e permanece abaixo do nível de 50 pontos, que separa crescimento de contração da atividade.
Segundo a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, os primeiros dados de 2026 reforçam um padrão recente de retração no setor manufatureiro brasileiro. De acordo com a economista, a persistência da fraqueza da demanda, a redução dos pedidos em atraso, a ausência de novos projetos e a preferência das empresas por manter estoques enxutos indicam que a produção tende a continuar em território contracionista no curto prazo.
A pesquisa aponta deterioração relevante tanto na demanda interna quanto na internacional por bens brasileiros, o que afetou de forma direta as carteiras de pedidos e os volumes produzidos em janeiro. O segmento de bens de capital liderou a queda da produção no período, refletindo o menor apetite por investimentos.
A contração das vendas completou dez meses consecutivos e foi a segunda mais intensa em quase três anos. No comércio externo, empresas consultadas relataram que tarifas impostas pelos Estados Unidos foram o principal fator por trás da queda das encomendas, havendo também registros de cancelamento ou suspensão de pedidos por clientes norte-americanos.
Fabricantes de bens intermediários e de investimento registraram recuos expressivos nas vendas totais, enquanto entre os produtores de bens de consumo a retração foi considerada marginal. Os bens de capital, por outro lado, foram o único segmento a apresentar aumento nos novos pedidos destinados à exportação.
O levantamento mostrou ainda que o nível de emprego no setor industrial caiu pelo segundo mês consecutivo. As empresas atribuíram a redução de postos de trabalho a medidas de controle de custos e à reavaliação das condições de demanda diante do cenário adverso.
Ao mesmo tempo, o ambiente de custos voltou a se deteriorar. Os preços de insumos subiram pela primeira vez em três meses, com aumentos associados a alimentos, commodities, componentes eletrônicos, metais, plásticos e têxteis. Diante desse movimento, os fabricantes elevaram seus preços de venda após quatro meses consecutivos de concessão de descontos.
Apesar do quadro de fraqueza da atividade, a pesquisa indicou melhora na confiança empresarial em janeiro. O nível de otimismo atingiu o patamar mais elevado desde junho de 2025, sustentado pelas expectativas de cortes na taxa de juros, recuperação gradual da demanda, investimentos planejados e lançamento de novos produtos.










