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Aéreas cortam 2 mil voos em maio após QAV subir e novo aumento de 20% é esperado

A Abear classifica os impactos como gravíssimos e o setor pede alíquota zero de IR no leasing de aeronaves

As companhias aéreas brasileiras suspenderam mais de 2 mil voos programados para maio como consequência direta da alta do querosene de aviação, que subiu 54% no dia 1º de abril após a Petrobras atualizar sua tabela mensal. O levantamento foi feito com base no sistema Siros da Anac e revela que a malha doméstica perdeu 2.015 voos mensais, o equivalente a 10 mil assentos por dia e 12 aeronaves de médio porte retiradas de circulação.

Os estados mais afetados até agora são Amazonas, com queda de 17,5% nos voos previstos, Pernambuco com 10,5%, Goiás com 9,3%, Pará com 9% e Paraíba com 8,9%. Os cancelamentos se concentram em rotas menos rentáveis, sem atingir significativamente ligações de alta demanda como São Paulo-Rio ou São Paulo-Brasília. Executivos do setor alertam, no entanto, que o movimento pode se espalhartpara rotas mais relevantes dependendo da extensão do prejuízo causado pela disparada do petróleo no mercado internacional.

O cenário pode piorar. A CNN apurou que distribuidoras de combustíveis foram informadas de que um novo reajuste deve ocorrer em 1º de maio, com alta estimada preliminarmente em torno de 20%, sujeita às variações dos últimos dez dias de abril. Se confirmado, o QAV terá acumulado alta de quase 75% em dois meses, uma pressão que dificilmente deixaria de atingir as rotas mais movimentadas do país.

O governo anunciou em abril um pacote de medidas para amenizar o impacto: zeragem do PIS/Cofins sobre o querosene, postergação das tarifas de navegação aérea, financiamento do Fundo Nacional de Aviação Civil para compra de combustível e parcelamento em seis vezes do reajuste de 54% pela Petrobras. A medida do parcelamento, porém, gerou frustração quando a estatal divulgou que cobraria juros acima da Selic para parcelar a dívida. Primeiro anunciou taxa de 1,6% ao mês, depois recuou para 1,23%, mas o setor considerou ambos os patamares inaceitáveis dado que superam o custo básico do dinheiro na economia.

As aéreas reconhecem as medidas como bem-vindas, mas residuais diante da magnitude da alta de custos. O setor pressiona por medidas adicionais: a volta da alíquota zero de Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves e a reversão do aumento de IOF formalizado no ano passado. A Abear classificou os impactos do reajuste do querosene como gravíssimos e afirmou manter diálogo constante com o governo em busca de soluções para minimizar o efeito sobre os passageiros.

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