O Grupo Toky (TOKY3), controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, iniciou 2026 sob forte pressão financeira. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 75,5 milhões no primeiro trimestre, resultado 71,9% superior à perda de R$ 43,9 milhões registrada no mesmo período do ano anterior e que ajuda a explicar a decisão de recorrer à recuperação judicial semanas depois.
Os números foram divulgados após um adiamento da publicação originalmente prevista para o fim de maio. O balanço revela um cenário marcado pela deterioração operacional, redução das vendas e aumento das despesas financeiras em um ambiente econômico ainda desafiador para o varejo de móveis e decoração.
A receita líquida somou R$ 309,4 milhões entre janeiro e março, queda de 18,9% na comparação anual. O volume bruto de mercadorias comercializadas (GMV), indicador amplamente utilizado no comércio eletrônico e no varejo omnichannel, recuou 15,7%, para R$ 418,6 milhões. Segundo a companhia, o desempenho foi impactado pela combinação de juros elevados, crédito mais restrito para o consumidor e maior endividamento das famílias, fatores que continuam afetando a demanda por bens de maior valor agregado.
A empresa também enfrentou dificuldades operacionais relacionadas ao abastecimento de produtos. Problemas na cadeia de suprimentos elevaram prazos de entrega, contribuíram para cancelamentos de pedidos e afetaram a conversão de vendas, pressionando ainda mais o faturamento no trimestre.
O enfraquecimento da operação aparece de forma clara no resultado operacional. O Ebitda ajustado caiu 64,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 19,1 milhões. Com isso, a margem Ebitda recuou de 14,1% para apenas 6,2%, refletindo a dificuldade da companhia em preservar rentabilidade diante da queda das receitas e da pressão de custos.
O resultado financeiro continuou sendo um dos principais fatores de deterioração das contas. As despesas líquidas nessa linha alcançaram R$ 47,6 milhões, impactadas principalmente pela correção monetária do endividamento e pelos custos relacionados à antecipação de recebíveis. O peso crescente dessas despesas ampliou as perdas e reduziu a capacidade de recuperação da companhia.
A situação de liquidez também chamou atenção. Ao final de março, o grupo possuía R$ 40,8 milhões em caixa e liquidez total de R$ 119,8 milhões, números considerados modestos diante do tamanho das obrigações financeiras acumuladas pela empresa.
Pouco mais de um mês após o encerramento do trimestre, em 12 de maio, o Grupo Toky protocolou pedido de recuperação judicial. O processo, que corre sob segredo de Justiça, envolve dívidas superiores a R$ 1 bilhão e marca uma nova etapa na tentativa de reorganização financeira da companhia.
O pedido de proteção judicial ocorre em um momento de forte transformação do setor de varejo de móveis e decoração, que ainda enfrenta os efeitos de juros elevados, consumo enfraquecido e mudanças nos hábitos de compra dos consumidores. Os resultados do primeiro trimestre mostram que a deterioração financeira já vinha se intensificando antes da recuperação judicial, evidenciando os desafios que a empresa terá pela frente para reequilibrar sua estrutura de capital e retomar o crescimento.










