O Bradesco BBI rebaixou a recomendação da Braskem de neutra para venda e cortou o preço-alvo pela metade, de R$ 8 para R$ 4. A decisão dos analistas Vicente Falanga e Ricardo França reflete um conjunto de pressões que tornam o papel pouco atrativo nos níveis atuais: deterioração operacional, estrutura de capital frágil e perspectiva de mudança de controle que pode resultar em reestruturação desfavorável aos acionistas minoritários.
O ponto de partida da análise é o balanço do quarto trimestre de 2025, considerado muito fraco pelo banco. Os resultados refletiram o enfraquecimento da demanda no mercado químico brasileiro e o aperto adicional nos spreads estruturais, num contexto global desfavorável ao setor petroquímico marcado por margens comprimidas e menor demanda em mercados estratégicos. A partir dessas premissas, o BBI revisou novamente para baixo suas estimativas e projeta que a Braskem seguirá queimando caixa em torno de US$ 1 bilhão até o fim de 2026 e cerca de US$ 600 milhões até o fim de 2027.
A mudança de controle anunciada na segunda-feira (20), com a Novonor e a NSP Investimentos vendendo sua fatia ao fundo Shine I FIP assessorado pela IG4, adiciona mais uma camada de incerteza. O BBI avalia que a chegada do novo controlador deve levar a decisões difíceis e potencialmente desfavoráveis aos acionistas nos preços atuais, com elevada probabilidade de algum tipo de reestruturação de capital, inclusive por vias extrajudiciais ou judiciais.
Há fatores positivos no horizonte, mas o banco os considera insuficientes para reverter o quadro. A aprovação do projeto PRESIQ, as tarifas antidumping contra polietileno americano e o aperto temporário da oferta global de químicos provocado pelo conflito no Irã devem oferecer algum alívio nos spreads. O BBI alerta, porém, que mesmo num cenário em que a guerra sustente spreads elevados até o final de 2026, a alavancagem pode voltar a superar 10 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda em 2027, patamar que os analistas classificam como insustentável.
O caixa pode atingir níveis perigosamente baixos ao fim do primeiro semestre de 2026, quando a combinação de consumo de capital de giro e concentração de pagamentos de juros vai testar os limites da liquidez da companhia.









