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Febre dos ETFs de renda fixa chega ao Brasil com R$ 15,6 bi captados em 2026

Especialistas dizem que o desafio agora é educacional pois muitos investidores ainda associam ETF a ações e cripto

Os ETFs de renda fixa se tornaram o principal motor de crescimento da indústria de fundos listados em bolsa no Brasil. Dos R$ 17 bilhões em captações líquidas registrados em 2026, R$ 15,6 bilhões, equivalentes a 86,72% do total, vieram de produtos referenciados em títulos do Tesouro ou índices de crédito privado, segundo levantamento da Quantum. Os aportes foram decisivos para que a indústria de ETFs listados na B3 ultrapassasse a marca de R$ 100 bilhões em estoque.

Apesar do domínio nas captações, a renda fixa ainda é minoria em número de produtos. São 50 ETFs de renda fixa num universo de 182 listados, menos de um terço do total. Dos 16 lançamentos realizados em 2026, 12 seguem índices de renda fixa. A hegemonia histórica dos ETFs de ações, como os que replicam o S&P 500 e o Ibovespa, ainda se reflete no número de produtos disponíveis, mas o ritmo dos lançamentos sinaliza que essa proporção deve mudar com velocidade crescente.

A explicação para a assimetria entre captação e número de produtos é histórica. Os ETFs de renda fixa chegaram ao mercado brasileiro muito depois dos de ações, e o investidor ainda está aprendendo a acessá-los. Danilo Moreno, analista da Investo, avalia que o desafio hoje é mais educacional do que de oferta. “Muitos investidores ainda associam ETF exclusivamente a ações e cripto. Quando descobrem que é possível investir em títulos do Tesouro ou crédito privado por meio de um fundo negociado em bolsa, a reação costuma ser de surpresa”, diz.

As vantagens tributárias explicam parte do interesse crescente. ETFs de renda fixa não cobram come-cotas, o pagamento semestral de Imposto de Renda que os fundos tradicionais de renda fixa descontam todo maio e novembro mesmo sem movimentação do investidor. Também não estão sujeitos ao IOF em resgates feitos antes de 30 dias. A tributação segue tabela regressiva baseada no prazo médio da carteira do fundo, com alíquota que vai de 25% para prazos médios de até seis meses até 15% para prazos médios acima de dois anos. No Tesouro Direto, o investidor paga entre 15% e 22,5% pela tabela progressiva. Em alguns cenários, como nos ETFs que seguem exclusivamente o Tesouro Selic e por isso ficam na alíquota de 25%, a compra direta do papel pode ser mais vantajosa. Em outros, especialmente nos prazos mais longos com alíquota de 15%, o ETF permite resgatar a qualquer momento com economia de até 7,5 pontos percentuais.

Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Financial, observa que os lançamentos recentes se concentram em produtos que seguem Letras Financeiras, Tesouro IPCA+ e Tesouro Selic. Ele vê a tendência com cautela quanto ao sucesso de longo prazo. “É difícil dizer se será o caso de sucesso de 2026”, afirma, lembrando que criptoativos e metais preciosos também foram protagonistas de seus momentos antes de dar lugar ao próximo ciclo.

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