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Dívida pública atinge R$ 8,6 trilhões em março, segundo Tesouro

DPF cai para R$ 8,63 trilhões, enquanto custo e vencimentos de curto prazo avançam

A Dívida Pública Federal encerrou março em R$ 8,633 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional no Relatório Mensal da Dívida. O valor representa uma redução de 2,34% em relação a fevereiro, movimento explicado principalmente pelo elevado volume de resgates líquidos no período. Apesar da queda, o estoque permanece abaixo da faixa indicativa estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que projeta intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao final de 2026.

A dinâmica da dívida no mês foi marcada por emissões de R$ 93,30 bilhões e resgates de R$ 398,68 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 305,39 bilhões. A maior parte desse movimento ocorreu na Dívida Pública Mobiliária Federal Interna, que registrou saída líquida de R$ 302,32 bilhões e fechou o mês em R$ 8,301 trilhões, queda de 2,46%. Já a dívida externa apresentou leve alta de 0,61%, somando R$ 331,64 bilhões (US$ 63,54 bilhões), refletindo variações cambiais e emissões no mercado internacional.

A estrutura de vencimentos também apresentou mudanças relevantes. A parcela da dívida com vencimento em até 12 meses subiu para 19,52%, ante 16,65% em fevereiro, indicando maior concentração de obrigações no curto prazo. Ao mesmo tempo, o prazo médio da dívida avançou para 4,10 anos, enquanto a métrica internacional “Average Term to Maturity” passou de 5,88 para 6,11 anos, sinalizando alongamento gradual do perfil, apesar da pressão de vencimentos mais imediatos.

Outro indicador que chamou atenção foi o colchão de liquidez, que recuou de R$ 1,192 trilhão em fevereiro para R$ 885,42 bilhões em março. Esse volume passou a cobrir 5,69 meses de vencimentos futuros, abaixo dos 6,41 meses observados no mês anterior. A redução reflete o uso de reservas para honrar compromissos e pode indicar menor margem de segurança no curto prazo, embora ainda dentro de níveis considerados administráveis.

No perfil dos detentores da dívida interna, houve leve redução da participação de investidores estrangeiros, que passou de 10,75% para 10,70%, com queda em termos absolutos de R$ 914,65 bilhões para R$ 888,66 bilhões. Entre os investidores domésticos, instituições financeiras mantiveram a maior fatia, com 31,47%, seguidas por entidades de previdência (23%) e fundos de investimento (20,86%).

O custo médio da dívida apresentou elevação no período. O custo acumulado em 12 meses da DPF subiu de 11,90% para 12,20% ao ano, enquanto o custo da DPMFi avançou para 12,86%. Nas emissões em oferta pública, o custo médio chegou a 13,92%, refletindo as condições mais restritivas de financiamento no mercado. Entre os títulos, as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) apresentaram custos próximos de 13,6%, enquanto as NTN-B, indexadas à inflação, registraram 12,10%, e as LFTs, atreladas à taxa Selic, chegaram a 14,98%.

Na composição da dívida, os papéis pós-fixados reduziram participação de 49,10% para 47,71%, permanecendo dentro da faixa prevista pelo PAF. Os títulos prefixados avançaram para 21,80%, enquanto os indexados à inflação subiram para 26,67%. Já os papéis vinculados ao câmbio representaram 3,83% do total. A distribuição segue alinhada aos limites estabelecidos pelo Tesouro para 2026, indicando manutenção da estratégia de diversificação e gestão de risco da dívida.

O conjunto dos dados mostra uma redução pontual do estoque em março, influenciada pelo calendário de vencimentos, ao mesmo tempo em que indicadores como custo, perfil de vencimentos e liquidez apontam para um ambiente de financiamento mais desafiador.

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